
A população de Autazes, no interior do Amazonas, merece respostas urgentes diante da péssima qualidade do ar provocada pela fumaça das queimadas. Uma leitura de 750,7 microgramas por metro cúbico (µg/m³), atribuída ao Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA) e divulgada na manhã desta terça-feira pelo radialista Ronaldo Tiradentes, da Rede Tiradentes, acende um sinal de alerta que não pode ser ignorado pelo poder público.
O dado, cuja identificação exata do poluente e do intervalo de medição precisa ser confirmada, é motivo suficiente para exigir esclarecimentos imediatos dos órgãos responsáveis pelo monitoramento ambiental e pela proteção da saúde pública.
A fumaça das queimadas contém partículas em suspensão que podem penetrar no sistema respiratório e agravar problemas de saúde. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares estão entre os grupos que exigem atenção especial.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a concentração média de partículas finas PM2,5 em 24 horas não ultrapasse 15 µg/m³. Caso a leitura de 750,7 µg/m³ corresponda a esse poluente, ela representaria aproximadamente 50 vezes o valor de referência da organização. É importante ressaltar que essa comparação é ilustrativa e não equivale, por si só, a uma avaliação oficial da exposição média diária.
Diante desse cenário, a Secretaria de Estado de Saúde, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, a Defesa Civil, os órgãos de fiscalização e a Prefeitura de Autazes precisam atuar de maneira coordenada, com informações transparentes e orientações claras à população.
É necessário informar quais são os níveis efetivamente registrados, divulgar recomendações de proteção, avaliar a necessidade de atendimento às pessoas com sintomas respiratórios e verificar a eventual necessidade de medidas emergenciais, inclusive em escolas e unidades de saúde.
Queimadas agravam crise
O problema de Autazes não pode ser analisado isoladamente. O Amazonas enfrenta uma nova escalada de incêndios florestais e poluição atmosférica.
Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo nesta terça-feira (13/10) aponta que os incêndios no estado são mais graves do que se imaginava.
Segundo a publicação, entre 1º e 12 de outubro foram registrados 1.600 eventos de fogo, um aumento de 260% em relação ao mesmo período de 2025. A reportagem também destaca áreas especialmente afetadas em Autazes e relata a mobilização de equipes para combater os incêndios.
Os números reforçam a necessidade de ampliar a fiscalização, identificar as origens dos focos e responsabilizar os infratores quando houver comprovação de conduta ilegal.
A estiagem e as condições meteorológicas podem favorecer a propagação do fogo, mas não dispensam a apuração das causas nem justificam a ausência de respostas. Prevenir incêndios, combater focos ativos e impedir novas queimadas são medidas essenciais para reduzir os danos ambientais e a exposição da população à fumaça.
População cobra
A gravidade do alerta da Rede Tiradentes exige uma resposta objetiva das autoridades. A população tem o direito de saber se a medição foi confirmada, qual poluente foi identificado, quais áreas estão mais afetadas e que providências estão sendo adotadas para diminuir os riscos.
Também é fundamental que os órgãos competentes divulguem atualizações frequentes, para que os moradores possam tomar decisões informadas sobre atividades ao ar livre e outras medidas de proteção.
Não basta reconhecer que existe fumaça. É preciso agir para conter os incêndios, fiscalizar as áreas atingidas, proteger os grupos mais vulneráveis e oferecer assistência às pessoas que apresentarem sintomas.
Autazes não pode ficar à mercê da fumaça, sem informação suficiente e sem uma resposta coordenada do poder público.










