Estagiário de Lara Alcolumbre evita mexer no vespeiro mas as vespas já estão soltas

Alcolumbre evita mexer no vespeiro mas as vespas já estão soltas

Por Estagiário de Lara

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do partido União Brasil, deixou claro que não pretende abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) exclusiva para investigar as polêmicas do Banco Master. A justificativa de bastidor é o clássico medo de mexer em um vespeiro durante o ano eleitoral. Mas em Brasília a criatividade política sempre encontra um atalho e os senadores decidiram fatiar a investigação em três frentes diferentes, transformando o Congresso Nacional em um verdadeiro labirinto de depoimentos.

A estratégia escancara que, quando o interesse político fala mais alto, uma porta trancada pela presidência da Casa é facilmente contornada por comissões paralelas sedentas por holofotes e respostas.

O alvo principal dessa gincana investigativa é Daniel Vorcaro, dono do Master. O executivo deveria ter prestado esclarecimentos nesta segunda-feira (23/02) e terça-feira (24/02), mas encontrou uma desculpa luxuosa para escapar da sabatina. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), não autorizou o uso de um jato particular para a viagem a Brasília e ainda decidiu que o ex-banqueiro não era obrigado a comparecer. Afinal, enfrentar um interrogatório sem o próprio avião parece ser um sacrifício incabível.

Sem a CPI principal, o caso foi dividido entre a CPI mista do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e a CPI do Crime Organizado. A tentativa de puxar o protagonismo já gera faíscas internas. O senador Carlos Viana adiantou a convocação de Vorcaro, enquanto o senador Renan Calheiros acusou alas do centrão de tentarem esvaziar os trabalhos da economia para proteger aliados.

“A CAE atua permanentemente no acompanhamento e fiscalização do Sistema Financeiro Nacional como um todo, inclusive nas suas fraturas que favorecem fraudes como a do Master. Nosso trabalho fortalece, sem nenhum conflito, qualquer CPI que queira tratar dessas fraudes, punir responsáveis e aprimorar legislação”, disse Renan Calheiros em nota.

O buraco se mostra muito mais fundo quando a CPI do Crime Organizado avança sobre as conexões entre o banco e as togas da mais alta corte do país. O senador Alessandro Vieira, relator da comissão, avisou que não pretende deixar o assunto ser abafado sem luta.

“Uma CPI só é enterrada se não houver recurso à Justiça”, disse o senador Alessandro Vieira.

A investigação mira laços perigosos envolvendo as famílias dos magistrados. Empresas ligadas a parentes do ministro Dias Toffoli tiveram ligações com um fundo de investimentos conectado às fraudes. Já o ministro Alexandre de Moraes entra no radar após a revelação de que o banco contratou o escritório de sua esposa, Viviane Barci, por cifras milionárias mensais.

“Isso está em total sintonia com os trabalhos da CPI, que tem como escopo o uso de bancos, escritórios e fintechs para lavar dinheiro do crime organizado. E apurar a infiltração do crime no poder público”, diz Alessandro Vieira.

Para fechar o cerco, o grupo de trabalho do Senado articula reuniões com a Polícia Federal, o Tribunal de Contas da União (TCU) e planeja convocar a cúpula da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O recado está dado, se Alcolumbre não quer a comissão inteira, os senadores farão o serviço em fatias.

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/02/senado-dribla-alcolumbre-e-apura-caso-master-mesmo-sem-cpi-propria.shtml

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