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A diplomacia das terras raras e o impasse entre Estados Unidos e China em 2025

Apesar de acordo entre Trump e Xi, indústria americana relata dificuldade para obter insumos

Donald Trump e Xi Jinping – Foto: Reprodução/Bloomberg

O fechamento do ano de 2025 traz um balanço complexo para as relações comerciais entre Washington e Pequim. Apesar do otimismo gerado pelo acordo firmado em outubro entre Donald Trump e Xi Jinping, a realidade nos bastidores da indústria de tecnologia e defesa revela uma disputa silenciosa e estratégica. O foco da tensão recai sobre os elementos conhecidos como terras raras, minerais essenciais para tudo o que move o mundo moderno, desde smartphones até sistemas avançados de mísseis.

A China detém o controle quase absoluto sobre o refino e o processamento desses insumos. Mesmo com a promessa de restabelecer o fornecimento, o governo chinês adotou uma tática de exportar produtos acabados enquanto retém a matéria prima bruta. Essa manobra impede que os Estados Unidos avancem no objetivo de criar uma cadeia produtiva independente, mantendo a vulnerabilidade americana diante das decisões políticas de Pequim.

O acordo de fachada e a realidade dos suprimentos básicos

No encontro realizado na Coreia do Sul em 30 de outubro, o anúncio de um entendimento mútuo parecia o fim de uma longa guerra comercial. Trump chegou a declarar que as restrições haviam sido removidas de fato. No entanto, o que se observa agora no final de dezembro é uma liberação seletiva. A China está enviando ímãs permanentes prontos, mas continua negando o acesso a óxidos e metais fundamentais como o disprósio.

Essa distinção é estratégica porque sem o metal bruto, as fábricas instaladas em solo americano não conseguem operar. O resultado prático é que a indústria dos Estados Unidos permanece como uma montadora de peças chinesas, sem conseguir desenvolver a tecnologia de base necessária para a soberania industrial. Especialistas afirmam que essa dependência estrutural é um dos maiores gargalos para o setor de energia limpa e automotivo fora da Ásia.

Os números do comércio e o controle estratégico de Pequim

Dados alfandegários recentes divulgados em 20 de dezembro mostram que a China está utilizando as exportações como uma ferramenta de pressão diplomática. Enquanto o volume total de produtos de terras raras aumentou cerca de treze por cento em novembro, o envio de ímãs específicos para o mercado americano sofreu uma queda de onze por cento no mesmo período.

As justificativas oficiais chinesas tratam essas variações como oscilações normais de mercado. Contudo, a diferença de tratamento entre os parceiros globais é evidente.

  • A União Europeia tem recebido licenças de exportação com prazos mais longos e maior previsibilidade.
  • As empresas americanas enfrentam dificuldades para renovar licenças temporárias que vencem agora no final do ano.
  • Existe um receio generalizado de que Pequim utilize atrasos burocráticos para retalhar políticas externas de Washington.
  • O Ministério do Comércio da China mantém um bloqueio rigoroso para qualquer pedido que tenha conexão direta ou indireta com o setor militar dos Estados Unidos.

Riscos para a soberania industrial e o setor militar

A questão das terras raras ultrapassa o lucro das empresas e atinge diretamente a defesa nacional. O uso desses minerais em sistemas de orientação de armas e radares de última geração torna a dependência da China um risco inaceitável para o Pentágono. O impasse atual evidencia que o acordo de outubro foi apenas um alívio momentâneo e não uma solução definitiva.

Scott Dunn, que lidera uma das poucas fabricantes de ímãs nos Estados Unidos, alerta que não há oferta suficiente fora do controle chinês para sustentar uma produção relevante a curto prazo. Essa fragilidade obriga o governo americano a buscar alternativas urgentes, como o incentivo à mineração nacional e parcerias com países aliados que possuam reservas, embora o processamento continue sendo o maior desafio técnico.

O que muda para o mercado e a indústria americana em 2026

A expectativa para o início de 2026 é de incerteza e cautela. Como as licenças temporárias de seis meses estão próximas do vencimento, muitas empresas americanas correm contra o tempo para garantir seus estoques. A falta de um acordo detalhado sobre as chamadas licenças gerais mantém o mercado em estado de alerta.

O cenário mostra que o Brasil e outras nações com potencial mineral podem observar uma janela de oportunidade para atrair investimentos em processamento, caso consigam oferecer a estabilidade que o eixo Washington e Pequim perdeu. Enquanto o entendimento duradouro não acontece, a apreensão entre governos e grandes corporações de tecnologia deve ditar o ritmo da economia global nos próximos meses.

Fonte: https://economia.ig.com.br/2025-12-26/china-mantem-restricoes-a-terras-raras-usadas-pelos-eua.html

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