
Festejado e dogmatizado em prosa e verso pela exótica ministra Marina Silva, sabe-se que o bilionário “Fundo Amazônia” é celebrado em discursos e disputado em palanques pelos membros da corte lulista no país.
Só tem um pequeno detalhe: quando o assunto é quanto cada estado realmente recebe, o dinheiro parece ganhar asas.
O Amazonas, protagonista do bioma, vira figurante na planilha. Transparência climática, pelo visto, ainda não passou pelo regime de chuvas da Amazônia.
Matemática (in)sustentável
Os números do “Fundo Amazônia” são sempre grandiosos: bilhões aprovados, bilhões anunciados, bilhões aplaudidos.
Mas quando alguém pergunta quanto veio exatamente para o Amazonas, a conta entra em modo sustentável: não soma, não subtrai e não fecha.
O recurso é verde, mas a informação continua opaca.
Projeto tem, valor nem tanto

Nos relatórios envolvendo o “Fundo Amazônia”, há projetos, siglas, objetivos nobres e fotografias bem produzidas. Falta apenas o básico: o valor claro, consolidado e facilmente identificável por estado.
O cidadão precisa virar garimpeiro de PDF para tentar descobrir quanto entrou no caixa local. Transparência seletiva também é uma forma de silêncio.
Desconfiança geral
Muito se fala em reconstruir a confiança internacional no Brasil. Excelente. Maravilhoso.
Talvez o próximo passo seja reconstruir a confiança do brasileiro comum, que só quer saber quanto do dinheiro anunciado em seu nome realmente chegou ao seu estado pelo “Fundo Amazônia”.
Afinal, na continental região a gente já convive com nuvem demais, não precisa de mais nebulosidade nos números.
Governo atrás de votos

Segundo a Folha de S.Paulo, Lula pode perder até 20 ministros no meio do caminho, mas não por crise, escândalo ou rompimento político.
É tudo planejado, organizado e com data marcada: abril. A Esplanada vira um grande comitê eleitoral, e governar passa a ser atividade paralela.
A dúvida não é quem sai, é quem fica para tocar o país enquanto todos disputam voto.
No Amazonas, todo mundo assanhado

Enquanto Brasília calcula ministros saindo para reforçar palanques nos grandes estados, o Amazonas segue no velho papel de nota de rodapé.
Aqui, o jogo é outro: governador Wilson Lima cotado ao Senado, secretários virando candidatos e o prefeito de Manaus, David Almeida, de olho no governo estadual.
Tudo muito animado, mas sem qualquer sinal de que a debandada nacional vá resultar em mais atenção federal ao estado.
Campanha tem, mas projeto, como sempre, fica para depois.
Apuração de verdade, não de discurso

Picado pela mosca da moralidade, o ex-senador João Pedro diz que quer investigação rigorosa sobre o projeto de carbono em Apuí.
Ótimo. O Amazonas agradece, mas alerta: rigor não pode parar em entrevista de entretenimento.
O estado já está cansado de apurações que começam firmes, viram retórica elegante e terminam em silêncio administrativo.
Se a investigação for fundo mesmo, doa a quem doer, será uma novidade refrescante. Se ficar só no discurso contra o jeitinho, aí será apenas mais um crédito de carbono… evaporado.










