Unanimidade rara: todos os partidos dizem “sim” à isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil

Texto de imposto de renda recebeu 493 votos favoráveis, com apoio de todos os partidos, incluindo a oposição – Foto: LUIS LIMA JR/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

A Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, na noite desta quarta-feira (1º), o projeto de lei que expande a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para contribuintes com renda mensal de até R$ 5.000. A proposta, uma das principais promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segue agora para votação no Senado Federal. Se aprovada sem mudanças, a medida entrará em vigor em janeiro de 2026.

O projeto foi aprovado com 493 votos favoráveis, recebendo apoio de todos os partidos, inclusive da oposição. A expectativa é que cerca de 16 milhões de brasileiros sejam beneficiados diretamente.

O relator da proposta, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ampliou o alcance do texto original do governo, aumentando o custo fiscal anual da medida de R$ 25,8 bilhões para R$ 31,2 bilhões.

O projeto estabelece dois pontos principais para aliviar a carga sobre os trabalhadores:

  1. Isenção Total: Para quem ganha até R$ 5.000 por mês.
  2. Desoneração Parcial: Para quem recebe até R$ 7.350 por mês.

Lira classificou a aprovação como “um primeiro passo para corrigir a distorção tributária e social das pessoas que menos recebem”.

Nova tributação para compensar a perda de arrecadação

Para compensar a perda de arrecadação resultante da isenção, o projeto cria uma nova tributação focada em contribuintes de alta renda, seguindo o princípio de “taxar os mais ricos” para aliviar os mais pobres.

  • Rendimentos Anuais: Será aplicada uma alíquota mínima de Imposto de Renda sobre rendimentos anuais acima de R$ 600 mil (o equivalente a R$ 50 mil por mês).
  • Alíquota Máxima: A taxação pode chegar a 10% para quem recebe R$ 1,2 milhão ou mais por ano.
  • Dividendos: Os dividendos (lucros distribuídos pelas empresas aos acionistas) acima de R$ 50 mil mensais passarão a ser tributados em 10% na fonte.

Segundo a Receita Federal, essa nova taxação afetará cerca de 141 mil contribuintes de alta renda. Atualmente, esses contribuintes pagam em média apenas 2,54% de imposto, uma alíquota muito inferior à efetivamente paga por trabalhadores da classe média (como professores e policiais), que supera os 9%.

Concessões e exceções no relatório

Apesar de focar na tributação dos mais ricos, o relatório de Arthur Lira incluiu concessões a setores específicos:

  • Atividade Rural: 80% dos ganhos da atividade rural foram retirados do cálculo da renda tributável.
  • Aplicações Financeiras: Rendimentos de investimentos como LCIs, LCAs, CRIs, CRAs, Fiagros e debêntures incentivadas foram excluídos da nova taxação.
  • Prazo para Dividendos: Dividendos apurados até dezembro de 2025 e pagos até 2028 serão mantidos isentos da nova tributação.

A ministra Gleisi Hoffmann, articuladora política do governo, expressou a expectativa de uma tramitação rápida no Senado, afirmando que “depois da reforma tributária sobre o consumo, agora o Congresso começa a dar resposta também na tributação da renda e da propriedade”. A medida é vista pelo governo como uma importante vitrine eleitoral para 2026.

Fonte: https://jovempan.com.br/noticias/economia/camara-aprova-isencao-do-imposto-de-renda-ate-r-5-mil-e-taxacao-para-mais-ricos.html

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