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Quarta edição do FIINSA encerra em Manaus com debate sobre economia sustentável da Amazônia

Foto: Divulgação/ ASCOM

Após três dias de intensos debates, troca de experiências e articulação de parcerias estratégicas, a quarta edição do Festival de Investimentos de Impacto e Negócios Sustentáveis da Amazônia (FIINSA) chegou ao fim na quinta-feira, 5/11, em Manaus.

O encontro reuniu mais de mil participantes entre empreendedores, investidores, pesquisadores, representantes de comunidades tradicionais e organizações da sociedade civil.

O objetivo central esteve voltado para transformar a biodiversidade e os saberes da região em oportunidades reais de desenvolvimento econômico e social.

Realizado pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) e pelo Impact Hub Manaus, o festival contou com uma programação extensa de 47 atividades distribuídas em seis trilhas temáticas. As discussões mobilizaram mais de 200 convidados e um público superior a mil pessoas.

Entre os principais tópicos debatidos sobressaíram o acesso a investimentos, a valorização da sociobioeconomia, o uso de novas tecnologias, a economia criativa e a necessidade urgente de assegurar que os benefícios financeiros da conservação alcancem as populações que vivem e protegem a floresta.

Balanço e impacto regional

No último dia do evento, uma dinâmica especial reuniu 20 anfitriões para compartilhar vivências e identificar tendências capazes de acelerar a economia amazônica. O FIINSA colocou o público diretamente nas mesas de trabalho ao lado dessas 20 lideranças.

As conversas apontaram caminhos diversos, englobando desde o uso da inteligência artificial até a valorização dos conhecimentos ancestrais indígenas, passando por novos modelos de negócios, pagamento por serviços ambientais e a participação direta das comunidades nos resultados financeiros gerados em seus territórios.

Tecnologia e inteligência artificial

Uma das anfitriãs da atividade, a fundadora da empresa Amazônia Meu Amor, Bia Saldanha, apontou o avanço de novas ferramentas tecnológicas como uma das grandes tendências do mercado.

“Unir esforços para construir, inovar e ter novas oportunidades para não se perder na história”, alertou Bia Saldanha sobre a necessidade de adaptação de todos os atores da região.

A fundadora e CEO da Singulari, Luciana Nogueira Minev, também tratou do tema em sua mesa de debate. A executiva concordou que a inteligência artificial representa uma oportunidade transformadora para as pessoas no Amazonas, embora tenha pontuado que a tecnologia isolada não substitui a capacidade de articulação humana.

“Ela não vai substituir boa educação, nada disso, mas ela tem a capacidade sim de reduzir distâncias, de realmente aproximar conhecimento de quem precisa acessar o conhecimento, de uma forma muito mais barata. Aqui tem muitas discussões que acontecem em grandes centros sempre apontando os malefícios da IA, que existem, mas para quem está no lugar remoto da Amazônia, conseguir ter acesso a um especialista financeiro para fazer o seu negócio prosperar é transformador”, disse Luciana Nogueira Minev.

Força da economia criativa

Outra tendência forte destacada na programação foi a economia criativa, abordada pela empreendedora social e diretora da marca Manioca, Joanna Martins, responsável por uma pequena indústria de impacto socioambiental sediada em Belém, no Pará. Segundo a gestora, a economia criativa atua como um pilar fundamental para traduzir o conceito de sociobioeconomia para a sociedade.

“A economia criativa gera relação emocional com tudo, seja com serviço, seja com produto e facilita até no diálogo com as novas gerações. A nossa tendência escolhida é enxergar o potencial da economia criativa para apoiar todo o sistema de impacto e de bioeconomia”, afirmou Joanna Martins.

A diretora ressaltou ainda que ambientes como o FIINSA aproximam quem produz de quem financia. A representante do Fundo Vale, Márcia Soares, concordou com essa visão e destacou que esses espaços ajudam a valorizar a produção das populações tradicionais a partir de suas próprias narrativas.

“Você olha para trás, há uns 15 anos, não tinha essa valorização da Amazônia, não tinha essa narrativa. Hoje, a partir da própria comunidade, eles estão conseguindo não só vender, não só criar canais comerciais, mas também falar da sua realidade, colocar isso dentro dos seus produtos e não transformar isso num produto pasteurizado, principalmente na economia criativa”, disse Márcia Soares.

Conhecimentos da ciência indígena

A pesquisadora e cientista indígena do povo Baniwa, Braulina Aurora, trouxe uma reflexão crítica ao lembrar que a sociobioeconomia sempre existiu na história dos povos originários, sendo indispensável reconhecer esses métodos a partir dos seus próprios locais de origem.

“Não tem como falar da nova economia da Amazônia sem ouvir quem faz parte da Amazônia. A tendência é dizer para o mercado que ele precisa valorizar esses processos da ciência e técnica, unido o conhecimento da ciência da academia e a ciência dos povos que fazem parte da Amazônia, trazer a partir dos produtos que memória e história a gente está colocando na prateleira”, disse Braulina Aurora.

O fundador da Mazô Maná, Marcelo Salazar, completou a discussão ressaltando que os empreendedores locais precisam ir além da simples compra de matérias-primas e buscar formatos de parceria mais justos e inclusivos.

“Olhar os modelos de negócios de trazer parceiros mais próximos e ter um royalty, ou para as empresas que estão começando e não tem capital, separar um pedaço das ações da empresa para as comunidades e achar um arranjo que dê conta disso. De ser sócios de partes de novos negócios. Às vezes, uma empresa grande está criando um negócio novo e fala ‘vamos fazer junto, você vai usar minha marca, a imagem’. Formas muito práticas de remunerar e trazer as remunerações de serviços socioambientais, de políticas públicas”, disse Marcelo Salazar.

O empresário reforçou que onde existem comunidades tradicionais preservadas há floresta em pé gerando chuvas para regiões como o Sudeste do país, configurando um serviço ambiental valioso que precisa de remuneração direta no território.

Mercado de carbono REDD+

Os caminhos do mercado de carbono e da Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal (REDD+) ocuparam lugar de destaque nas conversas. O ex-secretário de Meio Ambiente do Amazonas, Eduardo Taveira, defendeu que o ganho social para os moradores da floresta deve ser a prioridade absoluta de qualquer projeto.

“O que a gente quer, de fato, é um reconhecimento, inclusive um reconhecimento em forma de remuneração de um serviço ecossistêmico, um serviço ambiental que já é prestado por essas comunidades e que não entra em nenhuma conta”, afirmou Eduardo Taveira.

O especialista alertou também para os riscos de distorção nas iniciativas financeiras de preservação.

“Ou seja, ao contrário, as comunidades, além delas terem um papel ativo na preservação ambiental, elas ainda lutam contra pressões que vêm externas, que muitas vezes com o poder econômico pressionam para desestruturar a mudança de vida, compreensão de bem-viver, tudo isso que a gente lida aqui na Amazônia”, disse.

A ativista indígena Pi Suruí reafirmou a força dos povos originários e colocou as lideranças à disposição para a construção de projetos conjuntos sustentáveis.

“Eu acho que a gente precisa começar a construir essas soluções em conjunto. Então, quem quiser, estamos abertos ao diálogo. E aí, eu como indígena para construir, a gente busca muito essa autonomia. Uma coisa que a gente nunca desistiu há 500 anos é essa resistência. Então, a gente está de peito aberto para continuar criando caminhos e abrindo caminhos para as futuras gerações”, declarou Pi Suruí.

Emoção no encerramento oficial

A solenidade de encerramento do FIINSA 2026 emocionou os presentes. A programação final começou com o momento intitulado Conversas à beira do rio, reunindo Elisângela Cavalcante, Caetano Scannavino, Carlos Silva conhecido como Professor Tijolo, Bia Saldanha e Eva Duarte em um bate-papo informal que resgatou causos e memórias da região.

“Começamos o festival com o pé no barro nas imersões pelo território, levando muitos de vocês para vivenciar de perto iniciativas inspiradoras da região. Seguimos no segundo e no terceiro dia mergulhados em muito conteúdo construído a muitas mãos, graças à curadoria de um Conselho formado por dezenas de organizações que vivem e constroem a Nova Economia da Amazônia. É essa diversidade que traz valor de verdade para o festival: traduzindo o chão da floresta e facilitando encontros sinceros entre quem faz a roda girar”, afirmou André Vianna, diretor técnico do Idesam.

A cofundadora do Impact Hub, Juliana Telles, reforçou o compromisso de continuidade das ações iniciadas no evento.

“A gente espera, de coração, que vocês saiam daqui com a bagagem cheia: novas ideias, novos amigos, novos parceiros e, claro, novos negócios. Mas, acima de tudo, que saiam com a vontade pulsante de fazer acontecer. Porque o FIINSA não acaba quando a programação se encerra. O que importa de verdade é o que começamos a construir a partir de agora”, completou Juliana Telles.

O encerramento contou ainda com uma homenagem a Mariano Cenamo, fundador do Idesam, da Amaz e criador do FIINSA, falecido em julho de 2026. A frase marcante deixada por ele, Bora pra Cima, foi cantada em coro pelas cerca de mil pessoas reunidas na plenária.

Rede de apoio institucional

A quarta edição do FIINSA foi realizada de forma conjunta pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) e pelo Impact Hub Manaus.

O evento contou com uma ampla rede de parceiros e investidores dispostos em categorias específicas.

  • Patrocinadores oficiais cobrindo Fundo Vale, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), The Climate and Land Use Alliance (CLUA), Grupo Trigo, Fundo Casa Socioambiental, Soros Economic Development Fund, Bemol, CNP Seguradora, Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), Order, Instituto Arapyaú, Mercado Livre e SEBRAE.
  • Organizações de apoio reunindo Bezos Earth Fund, Amazon Investor Coalition (AIC), VOX Capital, Instituto Clima e Sociedade, Consulado da Mulher, Natura, Agência Felicidad, Amaz Aceleradora de Negócios de Impacto, Latimpacto, WRI Brasil, AMZ Bioecon e Marjon.
  • Entidades parceiras formadas por Instituto Arumã, Uma Concertação pela Amazônia, Climate Ventures, Manaus Plaza Centro de Convenções, Conexsus, CBA, Fipecafi e Sitawi.
  • Veículos de apoio de mídia compostos por Stanford Social Innovation Review Brasil, Página 22, Reset e DRAFT.

ASCOM: Emanuelle Aráujo e Aninha Alverca | Up Comunicação Inteligente

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