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Guilherme Derrite contraria o próprio partido e rejeita apoiar reeleição de Davi Alcolumbre

Guilherme Derrite - Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A disputa pelo comando do Senado Federal em fevereiro de 2027 já expõe divisões profundas dentro da própria oposição e nas bancadas aliadas. O senador eleito Guilherme Derrite, do PP de São Paulo, decidiu bater de frente com a orientação da própria legenda e anunciou que não apoiará a reeleição de Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá.

A posição do parlamentar paulista ignora a aliança oficial da Federação União-Progressista, grupo formado pela união do PP com o União Brasil, escancarando a insatisfação de alas conservadoras com o favoritismo do atual presidente da Casa.

Em pronunciamento divulgado em suas redes sociais na quarta-feira, 28/10, Guilherme Derrite mandou um recado direto aos eleitores que o elegeram para a Casa Alta.

O parlamentar reafirmou o compromisso de campanha assumido com os mais de 13 milhões de paulistas que votaram em seu nome, garantindo que não dará voto ao candidato apoiado por seu bloco.

A declaração contraria abertamente a cúpula da aliança partidária, uma vez que a Federação União-Progressista soma 12 senadores na próxima legislatura e já havia oficializado apoio em torno da recondução de Alcolumbre.

Na avaliação de Derrite, os senadores que fazem oposição ao governo precisam se articular de forma unificada até o pleito em fevereiro de 2027.

O senador eleito defende a escolha de uma candidatura abertamente conservadora e apontou nomes como o de Rogério Marinho, do PL do Rio Grande do Norte, e o de Tereza Cristina, do PP de Mato Grosso do Sul, como alternativas viáveis para a disputa.

O parlamentar paulista critica a postura de Davi Alcolumbre frente aos pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal, o STF, e cobra uma postura firme do Senado no exercício de suas prerrogativas constitucionais.

Rejeição a acordos políticos

A insatisfação com os rumos da eleição interna também ganhou tom crítico nas palavras da senadora Damares Alves, do Republicanos do Distrito Federal. Em entrevista concedida à Folha de S.Paulo, a parlamentar descartou qualquer possibilidade de fechar acordo em favor de Alcolumbre em troca de concessões políticas.

Damares rejeitou a hipótese de negociar o apoio da oposição em troca de um eventual avanço da anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro ou aos condenados pelas manifestações de 8 de janeiro de 2023, classificando como asquerosa a ideia de barganhar vidas por espaço de poder.

Pautas prioritárias da oposição

A senadora do Distrito Federal garantiu que a bancada de oposição continuará pressionando por pautas ideológicas e de fiscalização sem ceder a acordos fisiológicos. As bandeiras defendidas por Damares incluem pontos centrais do bloco conservador.

  • Anistia irrestrita para todos os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
  • Abertura de processos de impeachment direcionados a ministros do Supremo Tribunal Federal.
  • Instalação de comissões parlamentares de inquérito, como as CPIs e CPMIs do Banco Master, de Roberta Luchsinger e da gestão dos Correios.

Ao reafirmar que a vida de Jair Bolsonaro e os direitos dos réus do 8 de janeiro não serão usados como moeda de troca, Damares Alves reforça a postura irredutível de uma parcela da oposição no Congresso Nacional.

A resistência de nomes como Derrite e Damares demonstra que, embora Davi Alcolumbre siga como favorito no papel, a consolidação de sua liderança terá que enfrentar cobranças severas da ala conservadora, que exige uma postura mais combativa do Senado frente aos demais poderes.

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/derrite-contraria-pp-e-rejeita-apoio-a-reeleicao-de-alcolumbre-no-senado/

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