
A produção agrícola no interior do Amazonas ganha novos contornos com o reconhecimento da qualidade do café produzido na região. Longe de ser apenas uma atividade complementar, a cafeicultura especial desponta como uma alternativa econômica viável, sustentável e de alto valor agregado para o Estado. O exemplo mais recente dessa evolução vem do município de Apuí, onde o produtor Everaldo Florêncio da Rosa alcançou a classificação para a etapa nacional do prestigiado Concurso de Qualidade de Cafés “The Best of Canephora”.
Organizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e pela Alliance for Coffee Excellence (ACE), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), o certame tem o objetivo de valorizar, reconhecer e promover a excelência dos cafés das variedades conilon e robusta. A conquista do agricultor no Sítio Estância Vista Alegre reflete uma transformação direta promovida pelo conhecimento no campo.
Avanço técnico no campo
O ponto de virada na propriedade de Everaldo ocorreu a partir de dezembro de 2024, quando o sítio passou a receber o acompanhamento da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Amazonas (Senar-AR/AM), sob a orientação da técnica de campo Taynara Miranda Saatkamp. O suporte contínuo permitiu a implementação de práticas modernas de manejo que alteraram a rotina produtiva da área.
Entre as melhorias aplicadas na lavoura, destacam-se o fortalecimento da fertilidade do solo, a correção da acidez por meio da calagem, a adubação baseada em análises laboratoriais, o manejo nutricional adequado e o monitoramento constante de pragas e doenças. Com o direcionamento técnico, o produtor expandiu a área cultivada e consolidou a cafeicultura como a atividade econômica principal de sua propriedade.
“Os resultados obtidos pelos cafeicultores locais em grandes competições reforçam a importância da Assistência Técnica e Gerencial no campo e a viabilidade da cafeicultura no estado”, afirmou o presidente do Senar Amazonas, Muni Lourenço.
Na mesma linha, a liderança da instituição destaca a mudança comportamental do produtor rural ao adotar o planejamento.
“Por meio da ATeG, o Senar leva ao produtor conhecimento aplicado à realidade da propriedade, contribuindo para decisões mais assertivas, melhoria da qualidade e maior profissionalização da atividade”, ressaltou a superintendente do Senar Amazonas, Jeyn’s Alves.
Etapas da competição
A trajetória dos cafés amazonenses na premiação nacional demonstra o alto nível atingido pelos produtores da Região Norte, competindo de igual para igual com estados de longa tradição cafeeira.
- Seleção nacional realizada em setembro de 2026 na cidade de Varginha, em Minas Gerais, onde jurados escolheram 25 lotes das variedades robusta e conilon vindos do Amazonas, Rondônia e Acre.
- Presença marcante do estado do Amazonas com cinco produtores classificados entre os finalistas nacionais.
- Fase internacional agendada para o período de 24 a 27 de novembro de 2026, também em Varginha, onde os lotes serão avaliados por especialistas dos principais mercados globais de cafés especiais.
- Anúncio oficial dos vencedores e solenidade de premiação marcada para o dia 29 de novembro de 2026, no município de Cacoal, em Rondônia.
Transforma a realidade
O avanço da cafeicultura no Amazonas revela que o desenvolvimento sustentável da Amazônia passa obrigatoriamente pela valorização do produtor rural e pela oferta de tecnologia apropriada. A história construída em Apuí evidencia que a aplicação do conhecimento técnico transforma pequenas propriedades em empreendimentos competitivos, capazes de levar o nome do estado aos principais eventos da cafeicultura mundial.
Fonte: ASCOM | Annyelle Bezerra/ Sistema FAEA Senar










