
Pelo visto, a tradição de resolver eleição no Tribunal de Justiça do Amazonas com aquele conhecido “vamos todos concordar para evitar constrangimentos” resolveu tirar férias.
Na disputa pela Presidência do TJAM para o biênio 2027-2028, estão no páreo os desembargadores Airton Gentil e Cláudio Roessing. Desta vez, nada de aclamação, palmas protocolares e fotografia de família. Vai ter luta e vai ter voto.
A Vice-Presidência também ganhou emoção, com Onilza Abreu Gerth e Cezar Bandiera na briga. Só a Corregedoria escapou do clima eleitoral: Vânia Marques Marinho é candidata única.
A eleição está marcada para a próxima terça-feira, dia 29.
China não está para brincadeira

A mineração amazonense acaba de ganhar um ingrediente internacional daqueles que fazem Brasília, Wall Street e Pequim olharem para o mapa do Amazonas com forte interesse.
A Mineração Taboca anunciou investimentos de US$ 100 milhões, cerca de R$ 530 milhões, para modernizar suas operações e dobrar a capacidade produtiva até 2028.
O dinheiro vem em uma nova fase da empresa depois que o grupo estatal chinês CNMC assumiu o controle da Taboca.
Em Pitinga, o que não falta é matéria-prima estratégica: estanho, nióbio e tântalo. Minerais que entram em celulares, computadores, equipamentos médicos, componentes industriais, produtos de alta tecnologia e até cadeias estratégicas de defesa.
Minério sai e leva valor agregado também

O anúncio da Taboca é importante, mas revela uma velha ferida econômica do Amazonas.
O minério é extraído em Pitinga, em Presidente Figueiredo. O estanho segue para processamento em São Paulo. Nióbio e tântalo são beneficiados em Rondônia.
É quase uma operação de “delivery mineral”: o Amazonas extrai, embala a riqueza e manda para outros lugares agregarem valor.
Só Ásia e Europa lucram

A Mineração Taboca informa que cerca de 95% das vendas vão para mercados da Ásia e da Europa, enquanto apenas 5% ficam no Brasil.
Trocando em miúdos, se a produção é estratégica para o mundo, talvez esteja na hora de ela ser estratégica também para o desenvolvimento do próprio Amazonas.
O Amazonas precisa discutir infraestrutura, qualificação profissional, fornecedores locais, pesquisa, tecnologia e industrialização.
Minério bruto é riqueza. Mas minério transformado é riqueza com sobrenome, endereço e contracheque.
Automação pode virar pesadelo
Uma pergunta à Mineração Taboca: se a automação vier junto com os caminhões de 75 toneladas anunciados pela empresa, onde ficarão os trabalhadores quando as máquinas aprenderem a fazer o trabalho dos homens?
Investimento é bem-vindo. Mas desenvolvimento mesmo é quando o dinheiro entra pela porta e não sai pela janela.
PF só encontrou o “computador doente”

A operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de uso da estrutura do Governo do Amazonas em benefício eleitoral ganhou um capítulo que parece roteiro de comédia política.
Segundo o relatório divulgado, um computador do setor de Recursos Humanos da Aadesam foi levado para manutenção na manhã da operação e apresentado aos policiais como “corrompido”.
A expressão é bastante adequada para uma máquina de computador. Mas, em política, quando um equipamento resolve adoecer no dia da visita da Polícia Federal, até o técnico de informática desconfia do diagnóstico.
Com cara de paisagem
Com uma tremenda cara de paisagem, a PF apreendeu o equipamento e deverá submetê-lo à perícia para saber se houve apagamento, formatação ou dano aos dados.
Também encontrou um notebook na antessala da Presidência, apesar de servidores terem informado que não havia outros computadores no local.
Ainda foram apreendidos pen drive, celulares e outros equipamentos. O Ministério Público Eleitoral pediu o afastamento do presidente da Aadesam, William Alexandre Silva de Abreu. Agora é esperar a perícia.
Mais um idiota contra a ZFM

O deputado federal Kim Kataguiri (Missão) resolveu colocar a Zona Franca de Manaus novamente no centro das manchetes nacionais.
Em entrevista à Folha de São Paulo, o parlamentar defendeu a revisão de incentivos tributários e incluiu a ZFM entre os exemplos que considera ineficientes.
A proposta apresentada pelo grupo político do qual faz parte prevê o fim gradual das isenções do modelo.
É uma posição política legítima. Mas, para quem vive no Amazonas, existe uma pequena questão prática: antes de desligar a tomada da Zona Franca, talvez seja interessante saber quem vai pagar a conta.
Preconceito do Sudeste
Da janela de um escritório no Sudeste, a ZFM pode parecer distante do mercado consumidor. Daqui de Manaus, ela parece bem mais próxima: está na folha de pagamento, no comércio, nos serviços, na arrecadação e na vida econômica de milhares de famílias.
A crítica de Kim segue a mesma linha defendida pelo candidato à Presidência Renan Santos, seu correligionário, que também já defendeu o fim dos incentivos do modelo.
O problema é que a Zona Franca não é apenas uma planilha de incentivos fiscais. Há uma floresta enorme ao redor, uma cidade de mais de dois milhões de habitantes e uma economia que foi construída, gostem ou não os críticos, em torno do modelo.










