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Incêndio de proporções históricas na Bélgica se aproxima da fronteira com a Alemanha

Incêndio é descrito pelas autoridades como o maior da história moderna da Bélgica – Foto: Redação DW

A Bélgica enfrenta o maior incêndio florestal de toda a sua história e o cenário devastador revela a enorme fragilidade do continente diante dos extremos climáticos. O fogo já destruiu cerca de 27 quilômetros quadrados da reserva natural de High Fens na região leste do país.

A crise chegou a exatos 300 metros da fronteira com a Alemanha, obrigando as autoridades a adotarem evacuações preventivas de moradores na cidade alemã de Monschau. O evento acende um alerta urgente sobre a ineficiência das políticas ambientais atuais.

Para tentar conter o avanço rápido das chamas, a União Europeia (UE) mobilizou no sábado três helicópteros e dois aviões com grandes tanques de água. A Bélgica precisou enviar bombeiros adicionais para a zona de risco.

Por conta da mudança na direção dos ventos e da fumaça densa, cerca de 600 moradores das áreas de Waimes, Sourbrodt e Buetgenbach receberam ordens de retirada imediata devido ao risco de o fogo atingir as residências.

Os turistas também foram aconselhados a abandonar a região turística e um ginásio municipal vizinho precisou ser aberto para oferecer abrigo.

“Não se consegue ver mais nada, há fumaça por toda parte”, relatou o dono de um restaurante no município de Waimes, David Rodolfs, à agência de notícias AFP.

O desastre teve início na sexta-feira e avançou com extrema rapidez por áreas de turfeiras e pinhais. O ministro do Interior belga, Bernard Quintin, declarou publicamente estar chocado com a velocidade da propagação das chamas e com o nível assustador da destruição.

Apoio sem fronteiras

O trabalho de combate não tem sido fácil. O porta-voz das autoridades regionais da Valônia, Nicolas Yernaux, detalhou os desafios das equipes no local.

“Existe o risco de o fogo atingir as casas, mas estamos mobilizando todos os recursos disponíveis para protegê-las”, explicou Nicolas Yernaux.

O porta-voz acrescentou que o terreno acidentado dificulta gravemente os esforços operacionais e força as equipes a dependerem majoritariamente do apoio aéreo, deixando áreas de difícil acesso queimarem sem intervenção.

Diante do caos, o governo belga acionou o mecanismo de proteção civil europeu para trazer aeronaves da República Tcheca, Suécia e dos Países Baixos.

Bombeiros da Alemanha e de Luxemburgo somaram forças às operações locais e diversos agricultores participaram ativamente molhando as terras para frear as labaredas.

Ameaça na Alemanha

A preocupação ultrapassou os limites territoriais belgas e gerou pânico na Alemanha. Na cidade de Monschau, localizada na região de Eifel a apenas 2 quilômetros da fronteira, as autoridades determinaram a evacuação de 30 moradores de 17 casas no final da noite de domingo como medida preventiva.

No entanto, na manhã de hoje, segunda-feira, o cenário apresentou melhora e o fogo parou de avançar rumo ao território alemão graças ao auxílio de uma chuva fraca, ventos brandos e elevação da umidade do ar.

O município de Monschau abriga cerca de 12 mil habitantes e representa um forte polo turístico em Eifel, famosa por seu centro histórico pitoresco com casas em estilo enxaimel.

O perigo nessa área aumenta pelo fato da cidade estar localizada a apenas 23 quilômetros de outro grande incêndio registrado na própria Alemanha, que já havia forçado cerca de 2 mil pessoas a abandonarem suas residências na última sexta-feira.

Sinal de colapso

O desastre florestal ocorre no exato momento em que a Bélgica sofre uma severa onda de calor, com os termômetros registrando alarmantes 37 graus Celsius em várias partes do país.

Os cientistas são categóricos ao afirmar que as mudanças climáticas impulsionadas pela ação humana estão elevando a probabilidade de climas quentes e secos, criando as condições perfeitas para que os incêndios se espalhem rapidamente e queimem por períodos muito mais longos.

A comissária europeia, Hadja Lahbib, definiu o incêndio como o mais recente indício do desequilíbrio profundo que atinge o continente.

“Nunca antes a temporada de incêndios florestais começou tão cedo no ano e atingiu latitudes tão ao norte”, alertou a comissária europeia.

Essa realidade escancara que a Europa já não pode tratar as ondas de calor e os incêndios como fatalidades isoladas, exigindo uma transformação imediata na forma como as nações lidam com a sobrevivência climática global.

Fonte: https://ultimosegundo.ig.com.br/agencias/dw/2026-08-17/fogo-leva-centenas-a-deixarem-suas-casas-na-belgica-e-na-alemanha.html

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