
A economia amazonense alcançou um marco histórico que projeta um forte ciclo de expansão para o parque fabril local. O Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam) realizou nesta quinta-feira, 18 de junho, a sua 320ª Reunião Ordinária no auditório do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), em Manaus. O encontro resultou na aprovação de 80 projetos industriais que somam R$ 2,6 bilhões em investimentos privados, trazendo um potencial expressivo para movimentar o mercado de trabalho no estado.
O volume de propostas avaliadas e validadas estabeleceu o novo teto de produtividade do conselho. A consolidação desses indicadores sinaliza a manutenção da competitividade e o vigor das empresas instaladas na região.
Os empregos
A injeção de recursos financeiros terá reflexo imediato na abertura de postos de trabalho, beneficiando milhares de famílias.
- O pacote de projetos projeta a geração de 4.830 vagas diretas e indiretas no mercado de trabalho.
- Desse total de oportunidades, 2.606 são novas vagas abertas de forma imediata na linha de produção.
- As demais contratações vão atuar no suporte e na cadeia de fornecedores integrados do setor.
A expansão
A pauta robusta diversifica a fabricação de produtos e insere novas tecnologias na linha de montagem das fábricas. Os investimentos autorizados englobam a fabricação de componentes eletrônicos, aparelhos celulares, medidores de energia elétrica, fogões por indução e medicamentos.
“São 80 projetos, é recorde de projetos de todos os tempos. Nós nunca tivemos uma pauta tão robusta como essa”, destacou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Gustavo Igrejas.
O gestor pontuou que o estado caminha para registrar um novo recorde de aprovações ao longo do ano de 2026, refletindo a confiança do investidor no modelo Zona Franca de Manaus (ZFM) e na condução do Governo do Estado.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, também manifestou otimismo ao acompanhar as deliberações, classificando o resultado como um avanço definitivo para a consolidação econômica regional.
A energia
O encontro técnico também abriu espaço para decisões estratégicas na área de infraestrutura e matriz energética. Durante o evento, ocorreu a entrega formal da licença ambiental que autoriza a empresa Eneva a implantar e perfurar três poços exploratórios de gás natural no município de Silves. A medida foi elogiada por lideranças políticas que enxergam a exploração de recursos como alternativa viável de geração de renda.
“Vejo que se não fosse uma decisão governamental e do poder legislativo para quebra do monopólio do gás, hoje não teria a Eneva gerando emprego e renda. A produção de gás em Silves e Itapiranga representa uma decisão política importante para o Amazonas”, afirmou o deputado estadual Sinésio Campos.
O parlamentar aproveitou a oportunidade para defender o avanço de outras cadeias ricas do estado, como a exploração do potássio em Autazes e o fortalecimento dos setores naval, mineral e agroindustrial.
A qualificação
O crescimento de novas matrizes industriais acende um alerta sobre a necessidade de preparar a mão de obra local para ocupar as funções técnicas especializadas que começam a surgir. Representantes dos trabalhadores apoiam a chegada das empresas, mas cobram celeridade na formação profissional.
“O setor naval vai crescer muito e vamos precisar de trabalhadores qualificados. Precisamos preparar essa mão de obra para atender os projetos que estão chegando ao estado”, alertou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-AM), Valdemir Santana.
O líder sindical manifestou preocupação com eventuais mudanças nas regras do Processo Produtivo Básico (PPB), que podem impactar diretamente as indústrias de componentes eletrônicos da região.
Pelo lado da infraestrutura logística, o poder público assegura que o estado aprendeu com as crises climáticas anteriores e desenhou saídas para mitigar gargalos de escoamento.
“Em 2024 tivemos alternativas que não existiam em 2023. Hoje há planejamento e estrutura para garantir o abastecimento das indústrias mesmo diante de cenários adversos”, ressaltou o vice-governador Serafim Corrêa, ao contextualizar as estratégias adotadas contra os efeitos das estiagens nos rios.
O interior
No encerramento dos trabalhos, a governança estadual reforçou que o sucesso na atração de capital estrangeiro valida a estabilidade jurídica oferecida pelo modelo econômico local, abrindo caminhos para descentralizar os investimentos além da capital.
“Hoje o Codam aprova 80 projetos, com mais de R$ 2,6 bilhões em investimentos e quase 5 mil empregos diretos e indiretos. Isso significa oportunidade para o nosso povo e demonstra que empresários continuam acreditando no modelo Zona Franca de Manaus”, declarou o governador Roberto Cidade.
O chefe do executivo defendeu a ampliação das áreas destinadas aos distritos industriais e estabeleceu como meta levar o desenvolvimento para as demais cidades do interior.
“Precisamos criar oportunidades para os outros 61 municípios do Amazonas, fortalecendo novas matrizes econômicas e atraindo investimentos para todo o estado”, concluiu.
A solenidade reservou um momento para homenagear a Associação Comercial do Amazonas (ACA) pela passagem dos seus 155 anos de fundação.
O presidente da entidade, Bruno Loureiro, agradeceu a condecoração e enalteceu o papel histórico da instituição na interlocução produtiva entre a classe empresarial e as esferas governamentais.
O encontro contou com a participação da secretária-geral da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Amazonas (OAB-AM), Omara Gusmão, do diretor-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Gustavo Picanço, além de lideranças sindicais e membros ativos do conselho técnico.
ASCOM










