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Baixa lâmina d’água coloca produtores diante de um problema que exige respostas rápidas

Baixa lâmina d'água - Foto: Divulgação

O crescimento da atividade de irrigação colocou os produtores rurais diante de um problema complexo que afeta diretamente a produtividade no campo.

O grande dilema atual é descobrir como garantir a captação de água quando os rios operam com níveis reduzidos e, ao mesmo tempo, cumprir as exigências das leis ambientais que barram intervenções físicas em Áreas de Preservação Permanente (APP).

Em um cenário de instabilidade no clima e forte pressão sobre os mananciais, o uso de tecnologias capazes de funcionar em condições de baixa lâmina d’água ganhou papel decisivo para evitar a perda de lavouras inteiras nesta quarta-feira (17/6).

Essa situação de seca extrema se repete nas principais fronteiras agrícolas do país. Fenômenos climáticos como o El Niño e a ocorrência de estiagens prolongadas causam fortes oscilações no volume de rios, represas e reservatórios artificiais. Diante disso, a obtenção de outorgas e o uso racional dos recursos exigem planejamento rígido.

Muitas vezes, o principal obstáculo não é a falta de água em si, mas a engenharia necessária para puxar o líquido quando as fontes operam no limite mínimo.

“As mudanças climáticas e a maior pressão sobre os recursos hídricos estão tornando a captação um dos pontos mais estratégicos da irrigação. Hoje, não basta ter acesso à água ou outorga regularizada; é preciso garantir que o sistema consiga operar com estabilidade mesmo quando o nível dos rios apresenta oscilações significativas ao longo do ano”, afirma o gerente comercial da Jacobucci Irrigação, Carlos Jacobucci.

Gargalos nas margens protegidas

A busca por soluções se torna ainda mais difícil porque a maioria dos pontos de bombeamento fica perto de APP, onde a legislação proíbe alterações estruturais nas margens. O agricultor precisa abastecer suas plantações sem desfigurar a cobertura vegetal nativa e sem desrespeitar as regras dos órgãos de fiscalização. A escolha do maquinário adequado deixou de ser apenas uma decisão técnica para se tornar um processo jurídico e ambiental.

Para quem trabalha no campo, a queda drástica no nível dos rios torna o trabalho diário imprevisível. A pouca profundidade nos pontos de sucção traz consequências severas para a saúde financeira da propriedade.

A operação sob condições severas gera os seguintes problemas nas fazendas:

  • Acúmulo de sujeira A proximidade com o leito aumenta a entrada de lama e sedimentos nos canos.
  • Desgaste de maquinário As bombas trabalham sob sobrecarga constante, diminuindo a vida útil das peças.
  • Prejuízo financeiro O esforço mecânico excessivo eleva o consumo de energia elétrica e os custos com manutenção corretiva.

“Em muitos casos, o problem não é a falta de água, mas a dificuldade de captar essa água com estabilidade. Quando o sistema opera sob esforço constante, aumentam os custos operacionais, o desgaste dos equipamentos e o risco de interrupções justamente nos momentos em que a irrigação é mais necessária”, explica Carlos Jacobucci.

Tecnologia em Chapadão

Esse cenário de vulnerabilidade motivou o desenvolvimento de uma engenharia sob medida em uma propriedade rural localizada em Chapadão do Sul (MS). O dono da fazenda precisava retirar água de um manancial com nível crítico de vazão, mas não podia realizar obras civis ou movimentação de terra na área de floresta protegida ao redor do rio.

A saída encontrada para resolver o impasse foi instalar um mecanismo flutuante desenvolvido pela Jacobucci Irrigação, composto por um crivo autolimpante horizontal acoplado a flutuadores.

Por operar de forma suspensa na superfície, o equipamento acompanha a subida e a descida do leito de forma automática. A tecnologia impede a sucção da areia depositada no fundo do rio, garantindo um fluxo constante de abastecimento para os pivôs sem agredir o ecossistema marginal.

Mudança na gestão agrícola

A procura por projetos focados em enfrentar a oscilação dos mananciais cresceu de forma acelerada no mercado brasileiro, impulsionada pelo avanço das lavouras irrigadas e pela necessidade de sustentabilidade.

“Estamos observando um aumento da procura por soluções capazes de operar em condições que antes eram consideradas exceção. Muitas vezes, o desafio não é a falta de água, mas conseguir captá-la de forma estável quando os níveis dos rios e reservatórios variam ao longo do ano. Isso exige um olhar mais estratégico para a captação, porque a segurança da irrigação começa muito antes da água chegar à lavoura”, analisa Carlos Jacobucci.

A prioridade histórica do produtor sempre foi fazer a água chegar até as plantas, mas o mercado atual exige uma visão gerencial ampla. Sob o impacto de eventos climáticos severos, o sucesso da agricultura irrigada passou a depender da eficiência energética e do respeito total às leis ambientais.

A estrutura de captação deixou de ser um mero ponto de entrada de tubulação para se transformar no coração estratégico das propriedades rurais modernas.

ASCOM: Francielle Verissimo

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