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Residencial Maués celebra um ano de moradia segura para famílias retiradas de áreas de risco em Manaus

Irlane Lima e Marcellus Campêlo - Foto: Caio de Biasi

O retorno do período de chuvas intensas na capital amazonense já não representa motivo de desespero para dezenas de famílias que antes viviam sob o temor constante das enchentes. Nesta semana, completa-se um ano desde que 72 famílias deixaram as áreas de risco de alagação nas comunidades da Sharp, na Zona Leste, e Manaus 2000, na Zona Sul. Esse grupo foi reassentado no Parque Residencial Maués, localizado no bairro Cachoeirinha, zona sul da cidade.

O conjunto habitacional foi construído pelo Governo do Estado por meio do Programa Social e Ambiental de Manaus e Interior (PROSAMIN+). A iniciativa retirou os moradores de habitações precárias e palafitas, inserindo-os em um ambiente com infraestrutura urbana planejada e saneamento básico completo.

Transformação de vida

Para os novos moradores, a mudança significou o fim de uma rotina marcada pela insalubridade e pela perda de bens materiais a cada tempestade. A cacica da etnia Kokama, Irlane Lima, de 48 anos, que reside com os filhos no local, relembrou os momentos de dificuldade antes de receber a chave do novo lar.

“Antes eu vivia com medo da minha casa alagar com a chuva. Nós tínhamos que conviver com ratos, baratas e outros animais peçonhentos. Eu nunca imaginei morar em um apartamento, parece um sonho. Hoje, eu vivo tranquila com a minha família e só tenho a agradecer por essa mudança de vida”, afirmou a liderança indígena.

A dona de casa Eliza Soares, de 33 anos, compartilha do mesmo sentimento de alívio ao lado do marido Ricardo Oliveira, de 42 anos, e dos dois filhos.

“É uma verdadeira transformação de vida. Agora estamos vivendo uma nova história com muitos momentos felizes”, disse Eliza.

Alcance do programa

As ações estruturais do “PROSAMIN+” são executadas pela Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (SEDURB).

O balanço oficial aponta um impacto social expressivo nas frentes de reassentamento:

  1. População beneficiada: Mais de 3 mil famílias – o que representa cerca de 15 mil pessoas – foram retiradas de áreas de risco ao longo do leito do Igarapé do Quarenta desde o ano de 2019.
  2. Soluções de moradia: O programa não se limita à entrega de apartamentos, oferecendo também indenizações financeiras, bônus de moradia e auxílios de transição dependendo do perfil socioeconômico de cada núcleo familiar cadastrado.
  3. Infraestrutura no entorno: As intervenções garantem a instalação de redes de água tratada, coleta e tratamento de esgoto doméstico, pavimentação asfáltica de vias e serviços regulares de coleta de resíduos sólidos.

Dignidade e segurança

O engenheiro civil Marcellus Campêlo, que esteve à frente da gestão da SEDURB e da UGPE durante o período de concepção e entrega do residencial, destacou que o acesso à habitação regularizada eleva a cidadania das comunidades.

“Moradia segura é mais dignidade, qualidade de vida e perspectiva de um futuro melhor para as famílias. Quando um conjunto habitacional é entregue, os moradores têm acesso também à água tratada, esgoto coletado e tratado, ruas asfaltadas, coleta de lixo. Enfim, toda uma infraestrutura que melhora a vida das pessoas. Fico muito orgulhoso de ter participado desse momento de transição dessas famílias, saindo do alagado, para ocupar uma moradia segura, a tão sonhada casa própria”, declarou.

Marcellus Campêlo, que também atua como segundo vice-presidente do partido União Brasil no Amazonas, desincompatibilizou-se dos cargos públicos em março deste ano para colocar seu nome à disposição da legenda como pré-candidato ao cargo de deputado estadual nas eleições.

Estrutura do residencial

O Parque Residencial Maués foi projetado para oferecer conforto e facilidade de locomoção, situando-se próximo a eixos comerciais e de serviços essenciais na Zona Sul de Manaus.

  • Espaço interno: O complexo possui 72 apartamentos com área privativa de 50,33 metros quadrados cada.
  • Divisão dos cômodos: As unidades contam com dois quartos, sala de estar, cozinha, banheiro social, varanda e uma vaga de estacionamento rotativo.
  • Acessibilidade universal: O projeto arquitetônico desta fase do programa incluiu unidades habitacionais mais amplas e totalmente adaptadas para Pessoas com Deficiência (PCDs).
  • Segurança jurídica: Diferente de etapas anteriores dos programas habitacionais do estado, as famílias recebem a titularidade definitiva e o registro do imóvel no ato da entrega das chaves, assegurando a propriedade legal do bem.

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