
A proposta defendida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) de suspender por um ano os efeitos da reforma tributária acendeu o sinal vermelho no setor produtivo do Amazonas.
Empresários ligados à Zona Franca de Manaus (ZFM) avaliam que a medida pode desmontar o ambiente de segurança jurídica construído após anos de negociações no Congresso Nacional.
O temor é de que a reabertura da discussão tributária permita novos ataques ao modelo ZFM no momento em que o Polo Industrial de Manaus (PIM) registra crescimento de faturamento, geração de empregos e atração de investimentos internacionais.
Fuga de investimentos do PIM

A irritação do setor produtivo cresce porque a reforma tributária consolidou mecanismos considerados essenciais para preservar a competitividade da ZFM dentro do novo sistema nacional de impostos.
Empresários lembram que o Amazonas não recebeu novos privilégios, mas apenas manteve condições diferenciadas necessárias diante do isolamento logístico e da importância estratégica da Amazônia.
Para interlocutores da indústria, a simples perspectiva de suspensão da reforma já produz insegurança e ameaça frear investimentos que começam a chegar a Manaus, inclusive de grupos estrangeiros interessados em produzir no PIM.
A saída de Evilázio da Amazonprev

A possível saída de Evilázio Nascimento do comando da Fundação Amazonprev ganhou leitura muito mais política do que técnica nos bastidores do governo Roberto Cidade (União Brasil).
Fontes ligadas a integrantes do núcleo palaciano disseram à coluna que o desgaste provocado pelos ataques cada vez mais duros do Partido Liberal (PL) ao governo estadual passou a contaminar a permanência do dirigente na fundação previdenciária.
Evilázio é irmão do ex-senador Alfredo Nascimento, presidente estadual do PL, partido que intensificou a oposição ao governo amazonense nos últimos meses, sobretudo por meio das manifestações da empresária Maria do Carmo Seffair, hoje um dos principais nomes da direita local.
Ary Renato e o Banco Master

Segundo os bastidores palacianos, Evilázio acabou atingido muito mais pelo ambiente político do que diretamente pelo escândalo envolvendo aplicações financeiras no Banco Master.
Isso porque as operações hoje investigadas ocorreram ainda durante a gestão do ex-presidente Ary Renato Vasconcelos de Souza, que comandava a Amazonprev na ocasião em que os investimentos foram autorizados.
Evilázio assumiu a presidência apenas em maio de 2025, quando o caso já começava a ganhar dimensão nos órgãos de controle e no mercado financeiro.
Escândalo de cifras bilionárias
O caso Banco Master virou uma bomba de efeito político no Amazonas por envolver cifras bilionárias da previdência estadual.
Relatórios e informações já divulgados apontam que a Amazonprev manteve aplicações estimadas em cerca de R$ 1 bilhão em ativos ligados ao Banco Master, incluindo Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e fundos estruturados.
O volume colocou a fundação amazonense entre os maiores investidores institucionais ligados ao banco. Embora a investigação ainda esteja em andamento, o foco inicial das apurações recai sobre decisões tomadas antes da chegada de Evilázio Nascimento ao comando da instituição.
Tadeu contra o crime organizado

O ex-vice-governador Tadeu de Souza encerrou a campanha de propaganda partidária do Progressistas (PP) reforçando o discurso de combate ao crime organizado e defesa de investimentos em tecnologia para ampliar a segurança pública no Amazonas.
Na inserção exibida em rádio e televisão, Tadeu destacou a necessidade de fortalecer ações de inteligência, ampliar o policiamento e utilizar tecnologia para garantir maior presença do Estado, especialmente nos rios amazônicos.
A participação consolidou a estratégia do PP de projetar Tadeu como uma das principais vozes do partido no estado, associando sua imagem a pautas de desenvolvimento, segurança e geração de oportunidades para a juventude amazonense.
“Ficção liberal” em Bolsonaro

Em artigo na Folha de S.Paulo, o jornalista Vinicius Torres Freire fez uma das análises mais contundentes sobre o projeto político do senador presidenciável Flávio Bolsonaro ao afirmar que ele apresenta uma “ficção de programa” voltada para setores da elite econômica que desejam aparentar compromisso com o liberalismo.
No artigo, o colunista sustenta que o bolsonarismo nunca demonstrou, na prática, capacidade de formular ou executar um programa consistente de reformas liberais, citando inclusive dificuldades enfrentadas durante o governo Jair Bolsonaro.
Distância entre discurso e prática
Na avaliação de Vinicius Torres, falta ao grupo político liderado por Flávio Bolsonaro base técnica, articulação institucional e sustentação social para implementar um programa econômico liberal efetivo.
O articulista argumenta que parte da elite que apoia o bolsonarismo busca apenas redução de impostos e manutenção de privilégios setoriais, sem disposição para enfrentar temas estruturais como subsídios, emendas parlamentares e engessamento fiscal.
Para o jornalista, existe uma distância entre o discurso liberal apresentado por aliados de Flávio e a prática política observada no histórico do grupo.










