
A saída definitiva de Roberto Cidade da presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM) criou uma situação considerada inédita no constitucionalismo amazonense.
Ao assumir definitivamente o cargo de governador, Cidade deixou automaticamente o mandato de deputado estadual, condição indispensável para exercer a presidência da Assembleia.
A discussão agora gira em torno da vacância definitiva do cargo e da necessidade de reorganização da Mesa Diretora da Casa.
STF dá a solução jurídica

Segundo juristas, a definição sobre a sucessão na ALEAM deverá seguir o entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o princípio da simetria constitucional.
Pela tese adotada pela Corte, as assembleias estaduais possuem autonomia, mas precisam respeitar parâmetros semelhantes aos do Congresso Nacional.
A tendência jurídica é de manutenção temporária do deputado Adjuto Afonso (União Brasil) na presidência interina até a realização de eleição complementar para concluir o biênio 2025-2026.
Risco de judicialização existe
A futura eleição para o comando da ALEAM poderá gerar disputa judicial dependendo das regras adotadas pela Casa.
Entre os pontos em discussão estão quem poderá disputar o cargo, se haverá limitação por reeleição e se o novo presidente apenas completará mandato ou exercerá gestão autônoma.
Como a própria composição da Mesa Diretora já foi questionada anteriormente no Supremo Tribunal Federal (STF), qualquer controvérsia tende a receber atenção imediata da Corte.
Omar na pole position

O senador Omar Aziz (PSD) continua a ocupar a “pole position” na corrida eleitoral de 2026 no Amazonas.
Com 40% das intenções de voto, conforme pesquisa do Instituto Census, Omar aparece consolidado tanto no interior quanto entre o eleitorado jovem.
Os números reforçam a percepção de que o senador conseguiu manter musculatura eleitoral mesmo fora do governo há vários anos.
Atrás de Omar aparecem Maria do Carmo (PL), com 25%, e o ex-prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), que surge com 20%.
Roberto Cidade no retrovisor eleitoral

O governador tampão Roberto Cidade (União Brasil) começou a surgir nas pesquisas eleitorais.
Com 16% das intenções de voto, de acordo com o Instituto Census, Cidade ainda aparece distante da liderança, mas já consegue entrar oficialmente na conversa eleitoral de 2026.
Aliados comemoram o fato de o governador já não ser mais tratado apenas como o presidente da ALEAM que virou governador. Agora ele começa a testar algo mais ambicioso, que é virar um candidato competitivo.
Silêncio de Maria

Pré-candidata do PL ao Palácio da Compensa, a empresária Maria do Carmo Seffair resolveu adotar a mais tradicional estratégia política em tempos turbulentos, que é o sumiço.
Enquanto o senador Flávio Bolsonaro tenta explicar o roteiro cinematográfico dos R$ 134 milhões pedidos ao banqueiro Daniel Vorcaro para um filme sobre Jair Bolsonaro, no Amazonas reina um silêncio quase monástico.
Internautas dizem aguardar o momento em que a pré-candidata descobrirá que a renovação política às vezes também exige renovação de discurso.
“Vaquinha patriótica”
Aliados de Flávio Bolsonaro entraram em campo para minimizar o pedido de R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Conforme eles, não houve problema algum, pois tratava-se apenas de um patrocínio privado para um “filme privado” sobre Jair Bolsonaro.
Tudo como um cinema independente de bairro. A diferença é que, em vez de buscar apoio cultural no comércio local, a produção resolveu conversar diretamente com um banqueiro investigado pela Polícia Federal (PF). Mas os aliados garantem que é tudo questão de narrativa.
Investidor eclético

Daniel Vorcaro parece ter descoberto que o cinema era o melhor seguro contra oscilações políticas no mercado nacional.
Além do polêmico roteiro envolvendo a família Bolsonaro, o banqueiro já teria colocado suas fichas em produções sobre Lula e Michel Temer.
Essa onipresença cinematográfica mostra que o interesse de Vorcaro vai muito além da simples admiração pela sétima arte.
Enquanto a militância briga nas redes sociais por ideologias, o dono do Master preferiu garantir a narrativa de todos os espectros do poder através do patrocínio de peso.
No final das contas, o que importa para o investidor não é se o filme terá um final feliz para a esquerda ou para a direita, mas sim se ele continuará sendo o protagonista invisível nos bastidores do poder.










