
Enquanto o debate local patina, o mundo olha para as fantásticas riquezas do subsolo amazônico. O encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump, nesta quinta-feira (07/05), não será apenas geopolítica distante.
O evento, apesar de ter como palco a Casa Branca, em Washington, passará diretamente por áreas como São Gabriel da Cachoeira e Presidente Figueiredo, no Amazonas.
Terras raras, nióbio e outros minerais estratégicos estarão na pauta, e o que estará em jogo será o controle do futuro tecnológico planetário.
Amanhã, o Amazonas deixará de ser periferia nesse jogo. Será peça central.
Riqueza no chão, dúvida no destino

A questão não é se há riqueza no subsolo amazonense. Ela está medida, por exemplo, em milhões de toneladas de terras raras, de acordo com avaliação do Ministério das Minas e Energia.
A dúvida é outra: quem vai ficar com ela? Sem boa estratégia, o risco do governo Lula é repetir o velho roteiro: exporta-se matéria-prima, importam-se produtos caros, e o desenvolvimento fica na promessa.
Entre Washington, Brasília e Pequim, o Amazonas precisa decidir se quer ser protagonista ou apenas fornecedor ridículo de riquezas para a prosperidade do Primeiro Mundo.
UFAM invadida, instituições evaporadas

O que se viu na Ufam, na última terça-feira (05/05), não foi apenas um episódio lamentável, mas um teste de resistência institucional. E, ao que parece, muita gente tirou nota zero.
O endiabrado vereador Ubirajara Rosses do Nascimento Júnior (PL) resolveu brincar de autoridade dentro de uma universidade federal, acompanhado de seguranças, intimidando professor e alunos.
O vereador deitou e rolou ante um silêncio constrangedor. Cadê a reitoria? Cadê os sindicatos, sempre tão eloquentes?
Quando a defesa da autonomia acadêmica vira opcional, abre-se a porta para que o absurdo passe a pedir licença, e depois nem isso.
Da truculência ao constrangimento público
As imagens mostradas ao público falaram por si e horrorizaram Manaus.
Não se trata de divergência política, mas de método: intimidação, tentativa de censura e uso da força simbólica (e quase física) para impor vontade.
Universidade não é quartel, nem gabinete de vereador. Se esse tipo de conduta passa sem reação institucional, a consequência será perigosa: vale tudo, desde que haja câmera e plateia.
Corporativismo que protege
O detalhe que agrava tudo: o protagonista do episódio na Ufam, o vereador truculento, transita justamente na área de segurança pública e política.
Resultado? Nem polícia, nem parlamento, nem instâncias disciplinares se mexem. Quando quem deveria zelar pela ordem se cala diante do abuso, não há neutralidade, mas conivência.
E o mais curioso: a reação ficou restrita aos estudantes e à imprensa independente. Inverteu-se a lógica. Quem tem poder se omite, quem não tem, resiste a trancos e barrancos.
Universidade indígena. E daí?

A criação da universidade federal indígena, conforme aprovou o Senado, tem peso histórico, mas também levanta uma pulga atrás da orelha. Vai nascer para atender os povos indígenas ou para atender à burocracia que fala em nome deles?
O Brasil já tem experiência em criar instituições bonitas no papel e vazias na prática. O risco é transformar uma ideia potente em mais um prédio com placa e pouca efetividade.
Sem dinheiro, não dá

Com relação à universidade indígena, ela exige mais que decreto: precisa de orçamento, estrutura, permanência estudantil, professores preparados e respeito às especificidades culturais.
Sem isso, ela vira símbolo, e símbolo não forma ninguém.
Pergunta-se: haverá recursos reais para sustentar essa promessa ou estamos diante de mais um projeto que nasce grande no discurso e encolhe na execução?










