
O cenário de tensão no Oriente Médio ganhou novos capítulos nesta segunda-feira com o posicionamento firme da França sobre a crise marítima. Emmanuel Macron criticou abertamente o “Projeto Liberdade”, plano articulado pelo governo de Donald Trump para garantir a passagem de navios comerciais na região do Estreito de Ormuz. O local permanece sob bloqueio quase total do Irã desde o dia 28 de fevereiro, o que gerou um impasse global sobre a segurança das rotas de comércio.
Divergência entre potências
Durante sua chegada na 8ª cúpula da Comunidade Política Europeia na Armênia, o líder francês foi direto ao questionar a eficácia da ação americana. Macron destacou que a reabertura permanente da via depende de um esforço coordenado entre Washington e Teerã, evitando medidas isoladas que possam inflamar ainda mais os ânimos locais.
“Não sei o que é essa iniciativa”, afirmou o presidente francês ao se referir ao projeto liderado pelos Estados Unidos (EUA).
Para ele, o foco principal deve ser a garantia da livre navegação sem a imposição de pedágios ou restrições que prejudiquem o fluxo internacional de mercadorias.
Aparato militar robusto
Apesar das críticas europeias, o Comando Central dos EUA (Centcom) mantém uma operação de larga escala para sustentar o “Projeto Liberdade”. O suporte militar é composto por destróieres equipados com mísseis guiados e um efetivo de 15 mil militares. Além disso, a estratégia conta com mais de cem aeronaves da Marinha e do Exército, além de tecnologias não tripuladas.
O governo francês sinalizou que não pretende participar de intervenções militares que não apresentem um contexto claro de estabilidade. Macron reforçou que a França prefere aguardar por condições que permitam uma atuação neutra e segura para todas as partes envolvidas no tráfego pelo Golfo Pérsico.
Riscos de confronto direto
O clima de hostilidade atingiu um nível crítico com as recentes alegações do regime iraniano. Forças de Teerã afirmaram nesta segunda-feira que impediram a entrada de embarcações de guerra americanas no estreito e que teriam atingido um destróier inimigo. O governo dos Estados Unidos agiu rápido para negar qualquer dano às suas unidades, mas o alerta de que navios protegidos pelo projeto americano podem ser alvos legítimos permanece ativo.
Bloco europeu unido
Em uma frente paralela, Macron e o premiê britânico Keir Starmer lideram um grupo de aproximadamente 50 países que buscam uma solução alternativa. Esse grupo trabalha em uma proposta de escolta que se autodenomina neutra e que só deve entrar em operação quando houver um mínimo de previsibilidade política na região.
A resistência francesa em apoiar a iniciativa de Trump mostra uma divisão clara entre os aliados ocidentais sobre como lidar com as provocações iranianas. Enquanto os americanos apostam na presença militar ostensiva para forçar a abertura das águas, a Europa tenta equilibrar a balança com diplomacia e pressão internacional conjunta para evitar uma escalada de violência no Estreito de Ormuz.
Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/macron-perde-reabertura-coordenada-ormuz-critica-plano-eua/










