
A saúde pública no Amazonas vive um momento de mobilização intensa com o lançamento do programa “+Saúde da Mulher”. No último sábado, dia 2 de maio, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) transformou o Centro de Convivência da Família Magdalena Arce Daou em um polo de atendimento especializado. A ação resultou em 314 mulheres atendidas, todas oriundas do Sistema de Regulação, que deram os primeiros passos para procedimentos aguardados há tempos, como a laqueadura e cirurgias ginecológicas gerais.
O programa foi oficialmente apresentado na terça-feira, 28 de abril, pelo governador interino Roberto Cidade. A proposta central é atacar um dos maiores gargalos da rede pública amazonense: o tempo de espera.
Com a meta ambiciosa de realizar mais de 8 mil cirurgias ginecológicas até o final deste ano, o governo tenta imprimir um ritmo de resolutividade que a população feminina cobra com urgência.

Atendimento integrado e tecnologia
A secretária de Estado de Saúde, Nayara Maksoud, defende que a estratégia vai além de mutirões isolados. Segundo ela, o foco está na “organização dos fluxos e na integração entre os serviços”.
Durante a programação na zona oeste de Manaus, o diferencial foi a oferta de serviços em um único local, unindo o exame físico à tecnologia.
Os serviços oferecidos na estrutura montada incluíram os seguintes itens:
- Consultas presenciais com ginecologistas e psicólogos.
- Suporte via telessaúde para ampliar o alcance das avaliações médicas.
- Exames de ultrassonografia realizados na Unidade Móvel Carreta da Saúde.
- Orientações do Serviço Social para abertura de processos de laqueadura.
Planejamento familiar e autonomia
A decisão pela esterilização voluntária é um ponto sensível que o programa busca tratar com acolhimento. A cozinheira Adriana Carvalho, de 38 anos, exemplifica o perfil de muitas beneficiadas. Mãe de dois filhos e agora avó, ela buscou a laqueadura para garantir mais tranquilidade em sua rotina.

“Eu já vinha pensando nessa decisão há algum tempo por conta da minha idade. Acredito que a laqueadura vai me trazer mais tranquilidade para viver com mais segurança”, afirmou Adriana.
Por outro lado, a equipe técnica reforça a responsabilidade por trás dessa escolha. A coordenação de psicologia atua apresentando métodos reversíveis, como o DIU e o Implanon, deixando claro que a cirurgia é um caminho sem volta.

“A laqueadura é o único método irreversível. Por isso, é fundamental que essa decisão seja tomada com total segurança”, destacou a psicóloga Sabrina Vasconcelos.
Desafios da gestão pública
Embora o mutirão mostre fôlego inicial, o desafio da gestão estadual será manter a regularidade desses atendimentos para além das ações pontuais.
A meta de 8 mil cirurgias exige que o fluxo de exames pré operatórios e a disponibilidade de leitos cirúrgicos nos hospitais da capital e do interior funcionem em perfeita sintonia.
A integração da Carreta da Saúde com o atendimento psicológico e o agendamento direto é um avanço logístico que merece destaque.
Se o programa conseguir manter essa pegada de descentralização e agilidade, o Amazonas pode finalmente começar a reduzir as estatísticas negativas de espera que historicamente penalizam a saúde da mulher na região.










