
A formação acadêmica em Administração Pública ganha contornos fundamentais quando sai dos limites das salas de aula e encontra a realidade operacional das grandes instituições federais.
Nesta quinta-feira, 23 de abril, um grupo de 45 acadêmicos da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) realizou uma imersão técnica na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA).
A atividade, organizada pelo Observatório de Políticas Públicas (OPP), permitiu que os futuros gestores compreendessem de perto os mecanismos de governança que sustentam o modelo Zona Franca de Manaus (ZFM).
A visita técnica faz parte de uma estratégia de transparência e educação chamada “Programa Zona Franca de Portas Abertas”. Durante o encontro, os estudantes do 3º (terceiro) período mergulharam no funcionamento da autarquia federal que administra os incentivos fiscais e as diretrizes de desenvolvimento para toda a região amazônica. Compreender essa estrutura é vital para quem pretende atuar na esfera pública com eficiência e visão regional.
Sustentabilidade financeira
Um dos pontos mais críticos discutidos durante a palestra de Ana Maria de Souza, coordenadora-geral de assuntos estratégicos, foi a interdependência entre a indústria e a educação superior. A manutenção financeira da própria universidade estadual está diretamente ligada ao sucesso do parque industrial local.
O Fundo de Desenvolvimento do Ensino Superior assegura o repasse de 1% (um por cento) do total de tributos gerados pelas indústrias incentivadas do Polo Industrial de Manaus (PIM).
Essa revelação trouxe uma reflexão importante sobre como a proteção do modelo econômico é, na verdade, a proteção da própria formação intelectual e acadêmica do Amazonas. Sem o fortalecimento das indústrias, a estrutura que sustenta o ensino superior estadual correria sérios riscos de financiamento.
Desafios da próxima geração
Para o professor da disciplina de Administração Pública, Ranniéry Mazzilly, a iniciativa de levar os acadêmicos para o contato direto com gestores e técnicos é um passo essencial para uma formação qualificada. A visita não foi apenas um passeio burocrático, mas uma aula magna sobre os desafios reais que o estado enfrenta.
“Nos próximos anos serão esses alunos que estarão à frente das instituições públicas e a eles caberá a missão de buscar soluções para os nossos problemas e desafios, em especial no que se refere à Zona Franca”, afirmou Ranniéry Mazzilly.
O professor destacou que o conhecimento técnico sobre a ZFM é uma ferramenta de sobrevivência política e econômica para quem vai gerir os recursos públicos em um futuro próximo.
Gestão e inovação
O contato com o organograma e a governança da SUFRAMA permitiu aos alunos visualizar onde as políticas públicas são planejadas e executadas. Além da parte teórica, os estudantes visitaram os diferentes setores administrativos da autarquia, entendendo como o fluxo de decisões impacta o desenvolvimento regional.
A experiência serviu como um alerta sobre a necessidade de renovação e preparo intelectual na gestão pública amazônica. O modelo Zona Franca exige constante vigilância e inovação para continuar competitivo.
Ao final da atividade, ficou claro que a próxima geração de administradores precisa estar pronta para defender e aprimorar as estruturas que garantem o equilíbrio econômico do Amazonas e a manutenção das suas instituições de ensino.










