
A percepção de insegurança da população amazonense atingiu um patamar histórico e preocupante em 2026. De acordo com a pesquisa nacional “Forças de Segurança na Percepção dos Brasileiros”, divulgada recentemente pelo Instituto Veritá, o Amazonas detém o segundo pior índice de aprovação do país.
Apenas 28,8% dos cidadãos aprovam a atuação policial no estado, enquanto a reprovação salta para 71,2%, um número que coloca o território local em uma situação de vulnerabilidade institucional comparável apenas ao Rio de Janeiro, que lidera o ranking negativo.
O levantamento, que ouviu mais de 40 mil brasileiros em todas as unidades da federação entre os dias 13 de março e 4 de abril, evidencia que a média nacional de reprovação é de 52,3%.
O fato de o Amazonas estar significativamente acima dessa média revela que a sensação de desamparo não é apenas um dado estatístico, mas o reflexo de um sistema que apresenta fissuras profundas, tanto na capital quanto no interior.
Crise estrutural
Para o deputado estadual Comandante Dan (Republicanos), os números apenas confirmam uma realidade enfrentada diariamente por quem vive sob o medo. O parlamentar, que preside a Comissão de Segurança Pública, Acesso à Justiça e Defesa Social da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), afirma que os indicadores refletem o sentimento do cidadão que não consegue registrar ocorrências e encontra delegacias fechadas.
“Segurança pública não se faz apenas com discurso, se faz com presença, estrutura e planejamento”, afirmou Comandante Dan.
Segundo o parlamentar, a ausência de policiamento comunitário e a falta de presença ostensiva são as principais causas para o descrédito das instituições perante a sociedade.
Policiais exaustos
A gestão das forças de segurança parece enfrentar um esgotamento que vai além da falta de viaturas. O deputado aponta que os policiais civis e militares sofrem com uma sobrecarga de trabalho que afeta a saúde mental e emocional da tropa.
Além disso, problemas administrativos como atrasos na data-base, no auxílio-fardamento e nas promoções de carreira contribuem para a desmotivação de quem deveria proteger o cidadão.
Sem um profissional valorizado, a eficiência do serviço na ponta acaba comprometida, alimentando o ciclo de reprovação popular.
Plano urgente
A reversão desse quadro negativo exige a implementação imediata de um plano emergencial que considere as dimensões continentais e os desafios logísticos da região.
- Recomposição urgente do efetivo policial por meio de novos concursos e chamamentos.
- Garantia de funcionamento das delegacias no interior em regime de 24 horas.
- Investimento pesado em inteligência para elevar o índice de resolutividade dos crimes.
- Fortalecimento do Departamento de Polícia Técnico-Científica para apoiar as investigações.
- Foco estratégico no policiamento de fronteira para barrar o avanço da criminalidade.
Garantia institucional
Imparcialmente, é possível observar que a segurança pública no Amazonas precisa deixar de ser tratada como um tema de retórica política para se tornar uma prioridade absoluta de Estado.
O baixo índice de solução de crimes reforça a sensação de impunidade, o que afasta o cidadão da confiança nas autoridades.
A “virada de chave” mencionada por Comandante Dan, que também atua na União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (UNALE), passa obrigatoriamente pela integração das forças e pela territorialização das ações.
Sem uma estrutura que chegue aos bairros mais vulneráveis e aos municípios mais distantes, o Amazonas continuará figurando nos rankings nacionais como um exemplo de crise na gestão da ordem pública.










