
A Amazônia será o foco de um debate internacional de alto nível na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, nos dias 23 e 24 de abril de 2026. O pesquisador amazonense Marckjones Santana Gomes foi selecionado para apresentar seu estudo durante a 15ª Conferência Anual do Cambridge International Law Journal (CILJ), um dos encontros jurídicos mais prestigiados da instituição britânica.
O evento reúne especialistas globais para repensar o papel das normas jurídicas diante de conflitos, desigualdades e da emergência climática. A presença de um acadêmico local reforça a importância de ouvir quem vive e estuda a realidade da maior floresta tropical do mundo dentro dos centros de decisão internacionais.
Amazônia em destaque
O trabalho apresentado por Marckjones integra um painel exclusivo sobre Direito Ambiental Internacional. A pesquisa oferece uma análise crítica sobre os impasses enfrentados pela região e propõe caminhos para enfrentar a crise socioambiental a partir de novas perspectivas sociais.
“Levar a realidade amazônica para um espaço como Cambridge, uma das instituições mais respeitadas no mundo, é fundamental para ampliar a presença da produção acadêmica do Amazonas no cenário global. Isso mostra que as discussões em torno do clima, do desenvolvimento sustentável, e dos direitos das populações locais, vêm ganhando maior atenção internacional”, afirmou Marckjones Santana Gomes.
O estudo conta com a coautoria do professor doutor Fernando Antônio de Carvalho Dantas e do pesquisador doutor José Roque Nunes Marques, ambos da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).
Novos modelos jurídicos
A pesquisa questiona a visão tradicional do Direito, que muitas vezes serviu de base para a exploração predatória de recursos naturais. Em vez disso, os autores defendem um modelo que una a proteção da natureza ao protagonismo dos povos tradicionais.
Entre os pontos centrais da proposta apresentada em Cambridge estão os seguintes pilares.
- Criação de um constitucionalismo de resistência que integre a proteção da Terra à autonomia dos povos locais;
- Implementação de instrumentos inovadores de justiça como o “Habeas Corpus Biocultural”;
- Reconhecimento dos saberes ancestrais como elementos válidos em processos jurídicos oficiais;
- Mudança na estrutura de decisão do Estado para superar visões coloniais e exploratórias.
“O estudo defende a criação de um ‘Constitucionalismo Decolonial e de Resistência’, que busca superar a visão tradicional do Direito, muitas vezes limitada e conivente com a exploração predatória, ao integrar a proteção global da Terra com a voz e a autonomia dos povos amazônidas”, explicou o pesquisador.
Evento global
A conferência em Cambridge é reconhecida por atrair mentes brilhantes de instituições como Harvard e a Universidade de Londres, além de juízes de cortes internacionais. Nesta 15ª edição, o tema central é a reconstrução do Direito Internacional sob olhares regionais e transdisciplinares.
Ao transformar a Amazônia em sujeito de direitos e não apenas em fonte de matéria-prima, o estudo amazonense contribui para a governança global e para a busca por uma justiça ambiental que respeite a vida em todas as suas formas.
ASCOM: Lucas Silva










