
Por Elzio Mistrelo (*)
Estamos em mais um ano eleitoral e, ainda que as campanhas políticas não estejam ocorrendo de forma oficial, os pré-candidatos aos cargos de presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais (para o caso do Distrito Federal) já estão se posicionando sobre diversos temas considerados relevantes para o eleitorado. No entanto, praticamente em todas as eleições, inclusive as municipais, um assunto de extrema importância para toda a população brasileira é frequentemente ignorado e fica de fora dos debates políticos: saneamento básico (ou a falta de).
Crise hídrica e sanitária
Hoje, aproximadamente 43% dos brasileiros vivem sem coleta de esgoto e 16% ainda não têm acesso à água potável. Além disso, quase metade do esgoto gerado no país não é tratado. Isso significa que mais de 5 mil toneladas de dejetos são despejadas diariamente nos corpos de água pelo país.
A situação ilustra um problema com graves consequências para o nosso desenvolvimento econômico, ao meio ambiente e para a saúde da nossa população.
- Mais de 350 mil internações hospitalares por doenças relacionadas à falta de saneamento em 2024.
- Graves impactos no desenvolvimento econômico regional.
- Poluição contínua de rios e mananciais.
Desafios regionais e investimentos
É de extrema importância o eleitor saber o que os candidatos pensam a respeito e o que pretendem fazer para melhorar o acesso da população a serviços adequados para o fornecimento de água limpa e para a coleta e tratamento de esgoto. Desde que o “Marco Legal do Saneamento” passou a vigorar, os investimentos no setor cresceram consideravelmente, mas em alguns estados pouco se avançou, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. É indispensável, entretanto, que políticos especialmente nessas regiões ofereçam soluções para superar esse entrave.
Metas para 2033
O “Marco Legal do Saneamento” estabelece como meta que 99% da população tenha acesso à água potável e 90% seja atendida com serviço de coleta e destinação correta do esgoto, até o ano de 2033. Porém, pelo que se observa, os esforços até aqui não estão sendo suficientes.
Para alcançar esse objetivo, o país deveria investir, em média, R$ 225 por habitante. Mas levantamento realizado pelo Instituto Trata Brasil aponta que em localidades com os piores índices de saneamento, a média de investimentos entre 2020 e 2024 foi de R$ 77,58, valor 66% abaixo do que deveria.
Compromisso com o futuro
Investir em saneamento é deixar o atraso no passado e acreditar em um Brasil mais moderno e com desenvolvimento social e econômico, permitindo à população mais pobre uma vida digna. Portanto, neste ano de eleições (2026), caberá a nós eleger quem de fato esteja comprometido com políticas públicas de saneamento que saiam do discurso e se convertam em programas, metas, orçamento, cronograma e entregas.
Vote com consciência. Este é o momento!
(*) Elzio Mistrelo é engenheiro, Diretor da Apecs (Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente) e coordenador do Boletim do Saneamento.










