
A fala de Rosemaire Figueiredo, de 53 anos, resume um alívio que vai além da correção visual. “Hoje eu agradeço a Deus que eu estou bem, estou melhor da diabetes e agora vou ver melhor a vida”, afirmou a dona de casa, durante a ação de saúde realizada no último sábado (11/4). Ela foi uma das beneficiadas no Centro Estadual de Convivência da Família Magdalena Arce Daou, na zona oeste de Manaus, onde o Governo do Estado entregou 1.234 óculos.
Embora o número seja expressivo e a marca de 8,2 mil óculos distribuídos desde novembro de (2025) demonstre fôlego institucional, o cenário levanta uma reflexão necessária. Mutirões são, por natureza, ferramentas de correção para um sistema que muitas vezes não consegue absorver a demanda no fluxo cotidiano. O evento, acompanhado pelo governador interino Roberto Cidade, expõe como a saúde pública no Amazonas ainda depende de grandes forças-tarefa para reduzir filas históricas.
Saúde visual conectada ao controle da diabetes
O caso de Rosemaire Figueiredo é emblemático por destacar a relação direta entre doenças crônicas e a saúde ocular. A diabetes é uma das principais causas de cegueira evitável no mundo, e o acesso rápido a um oftalmologista pode ser a diferença entre a manutenção da visão ou a perda definitiva.
Ao ser encaminhada pelo especialista após o diagnóstico da doença, a paciente encontrou no mutirão a oportunidade de concluir um ciclo de cuidado que muitas vezes trava na burocracia ou no custo das armações. A estratégia, conduzida em parceria com o Fundo de Promoção Social (FPS), foca em pacientes que já possuem prescrição, tentando dar agilidade ao que estava represado na rede estadual.
Carreta da saúde e os exames preventivos
A estrutura montada na zona oeste não se limitou aos óculos. A Carreta da Saúde atuou como um braço móvel para exames que possuem filas críticas, como mamografias e ultrassonografias. Para muitos, a unidade móvel é a única chance de realizar exames complexos sem o deslocamento exaustivo entre diferentes unidades da capital.
- Exames de mamografia e ultrassonografia de abdômen total.
- Avaliações de tireoide, próstata e aparelho urinário.
- Procedimentos transvaginais e pélvicos.
- Entrega de óculos para pacientes de todas as idades.
A aposentada Odineia Guimarães, de 72 anos, aproveitou a logística para realizar a mamografia que ainda não estava agendada.
“Houve a oportunidade para fazer a mamografia e eu me interessei porque eu ainda não tinha feito”, disse Odineia Guimarães, reforçando que a gratuidade é o único caminho para quem não tem condições de arcar com os custos na rede privada.
Desafios para o futuro do atendimento
Com a previsão de alcançar 12 mil atendimentos nessa frente específica, o Governo do Amazonas tenta imprimir um ritmo de entrega que satisfaça a opinião pública e as necessidades imediatas da população. Contudo, o olhar crítico sobre a gestão pública sugere que o sucesso de um mutirão é, também, o sintoma de um sistema que precisa ser fortalecido em sua base.
Enquanto a mobilização de sábado trouxe um novo horizonte para centenas de manauaras, a pergunta que permanece é como tornar esse acesso contínuo e menos dependente de ações pontuais.
A saúde é um direito que deve ser exercido todos os dias, e não apenas quando o Estado mobiliza suas carretas e estruturas móveis. O avanço é real, mas o gargalo ainda exige soluções estruturantes e permanentes.










