
O debate sobre a qualidade da arbitragem no Amazonas saiu dos gramados e ganhou o plenário da Câmara Municipal de Manaus (CMM). Na sessão desta terça-feira, 10/3, o vereador Elan Alencar (Democracia Cristã) subiu à tribuna para classificar como um “erro grotesco” a decisão que mudou o rumo da semifinal entre o Manaus FC o Parintins. O episódio, ocorrido no último sábado, 7/3, reacendeu a discussão sobre a necessidade de profissionalização e tecnologia no esporte local, que busca consolidar sua imagem no cenário nacional.
A polêmica gira em torno de um pênalti assinalado pelo árbitro Leonardo Chaul Paixão a favor do time de Parintins, após uma defesa do goleiro do Manaus. Mesmo com a consulta aos assistentes, a marcação foi mantida, o que resultou no empate em 1 a 1 e, posteriormente, na eliminação do time da capital nas penalidades. Para muitos, o lance não apenas definiu um finalista, mas expôs a vulnerabilidade de um campeonato que cresce em visibilidade, mas ainda tropeça em decisões humanas cruciais.
Crise de credibilidade
Para o vereador Elan Alencar, o prejuízo vai muito além das quatro linhas. O parlamentar destacou que o futebol amazonense atravessa um momento de franca expansão e que falhas dessa magnitude ferem a credibilidade da Federação Amazonense de Futebol (FAF) e das competições locais. Quando um erro ganha repercussão nacional, a imagem do estado como um polo esportivo organizado acaba sendo colocada em xeque, afastando potenciais investidores e desmotivando o torcedor.
“O futebol amazonense vem crescendo e ganhando visibilidade nos últimos anos. Não podemos permitir que erros tão grotescos prejudiquem equipes, torcedores e a imagem do nosso esporte”, afirmou Elan Alencar.
A fala do parlamentar ecoa o sentimento de indignação de uma torcida que viu o investimento de uma temporada inteira ser comprometido por uma interpretação de campo contestável.
Tecnologia como solução
Diante do cenário de incerteza, a principal proposta discutida na CMM foi a implementação do Árbitro de Vídeo (VAR) nas fases decisivas do Campeonato Amazonense. Atualmente, o custo e a logística para a instalação do sistema são os principais entraves, mas o argumento é de que o investimento se justifica pela transparência e pela justiça desportiva.
A adoção da tecnologia em semifinais e finais poderia blindar os árbitros de pressões externas e garantir que o resultado final seja fruto apenas do desempenho dos atletas.
Além do VAR, outros pontos foram citados como essenciais para o avanço do futebol no estado
- Investimento pesado na formação e reciclagem constante dos árbitros locais
- Melhoria na infraestrutura dos estádios para receber equipamentos de transmissão e suporte
- Adoção de critérios mais rígidos e transparentes nas escalas de arbitragem para jogos decisivos
- Fortalecimento da segurança jurídica e desportiva para proteger os clubes de erros sistemáticos
Esporte e sociedade
O futebol no Amazonas não é apenas entretenimento, mas um motor de desenvolvimento social e cultural. A mobilização em torno dos clubes locais fortalece a identidade regional e incentiva a prática esportiva entre os jovens. Por isso, a cobrança por uma organização mais profissional é legítima.
Garantir que as regras sejam aplicadas com rigor e auxílio tecnológico é o passo que falta para que o futebol local pare de ser notícia por polêmicas de arbitragem e passe a brilhar apenas pelo talento em campo.
O respeito ao esporte amazonense passa, obrigatoriamente, por uma arbitragem que acompanhe a evolução técnica dos times. Enquanto as decisões ficarem restritas apenas à visão limitada do árbitro central em lances de alta velocidade, a sombra da dúvida continuará pairando sobre o Barezão. A modernização não é mais um luxo, mas uma necessidade urgente para quem deseja ser respeitado nacionalmente.
Fique por dentro
O Manaus Futebol Clube acabou eliminado pelo Parintins Futebol Clube nos pênaltis pelo placar de 5 a 4 após o empate polêmico no tempo normal. O vereador Elan Alencar agora busca articulação para que a Federação Amazonense de Futebol (FAF) avalie a viabilidade técnica do uso do VAR nas fases finais das próximas edições do campeonato. A repercussão do caso na Câmara Municipal de Manaus (CMM) mostra que a gestão do esporte entrou definitivamente no radar das políticas públicas de valorização da cultura e do lazer na capital amazonense.
ASCOM: Vanessa Rocha










