
A luta contra o narcotráfico no Amazonas ganhou um capítulo de impacto extremo nesta quinta-feira (26/02). Em uma operação cirúrgica na comunidade Cristo Rei, no bairro Tarumã-Açu, as Rondas Ostensivas Cândido Mariano (ROCAM) apreenderam 2,7 toneladas de maconha tipo skunk. O golpe financeiro no crime organizado é estimado em R$ 54 milhões, mas o que realmente chamou a atenção foi o desfecho institucional: entre os 11 presos, seis são policiais militares.
O caso reforça uma postura de tolerância zero dentro das forças de segurança. Ao identificar que agentes da própria corporação estavam envolvidos no transporte do entorpecente utilizando viaturas oficiais, a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) não hesitou em realizar as prisões em flagrante. É o tipo de ação que demonstra que ninguém está acima da lei, independentemente da farda que veste.
Dinâmica da operação
A ocorrência começou após uma denúncia anônima via Disque Denúncia da Rocam 92-99280-7574. A informação indicava que uma embarcação havia atracado na zona oeste de Manaus para o desembarque de drogas.
Ao chegarem ao local, os policiais da Rondas Ostensivas Cândido Mariano (ROCAM) encontraram uma cena alarmante. Duas viaturas da 19ª Companhia Interativa Comunitária (CICOM) e dois veículos particulares davam apoio à descarga do material ilícito. Três sacas de droga já estavam dentro de um dos carros, enquanto o restante permanecia na embarcação.
Tolerância zero institucional
O Chefe do Estado-Maior da PMAM, coronel Bruno Azevedo, foi enfático ao declarar que a instituição não compactua com desvios de conduta. Os policiais envolvidos foram imediatamente afastados, tiveram suas armas recolhidas e foram encaminhados ao Núcleo Prisional da PMAM.

“A Polícia Militar reafirma o seu compromisso com a instituição, não colaboramos em nada com o crime organizado, pelo contrário, estamos aqui de forma dura para mostrar que a Polícia Militar está sempre a postos, em serviço do Estado e em defesa dele”, afirmou o coronel Bruno Azevedo.
Histórico dos envolvidos
Além dos policiais, os outros cinco presos possuem um histórico criminal extenso. Entre eles, um homem com mandado de prisão em aberto por homicídio. Os demais já respondiam por crimes como:
- Tráfico de drogas e associação para o tráfico.
- Extorsão mediante sequestro e estelionato.
- Violência doméstica e ameaça.
- Adulteração de sinal identificador de veículo.
Todo o grupo foi apresentado ao Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), que agora lidera as investigações para identificar os mentores intelectuais do esquema.
Recorde de apreensões
O secretário de Segurança Pública, coronel Vinicius Almeida, destacou que o sistema de segurança do estado já alcançou a marca de 14 toneladas de entorpecentes apreendidos apenas em 2026. Esse volume representa o dobro do que foi registrado no mesmo período do ano passado.
Para o delegado-geral da (PC-AM), Bruno Fraga, a união entre as polícias é o que garante resultados dessa magnitude.

“Esse flagrante ratifica o comprometimento das instituições de Segurança Pública em combater esse tipo de crime, independente de quem esteja cometendo”, disse Bruno Fraga.
Fique por dentro
A operação na comunidade Cristo Rei é um divisor de águas no combate à corrupção interna. Ao levar a público a prisão de seus próprios membros, a Segurança Pública do Amazonas envia um recado claro ao crime organizado: o monitoramento é constante e o rigor será aplicado contra qualquer um que tente usar a estrutura do Estado para o tráfico. Com 2,7 toneladas a menos nas ruas, a população ganha em tranquilidade e a instituição em credibilidade pela transparência.










