
A possível aproximação entre PT e PP, registrada em matéria do Valor Econômico nesta quinta-feira (19/2) como parte das negociações para 2026, ocorre justamente no momento em que a federação entre o União Brasil e o PP — batizada de União Progressista — se consolidou como um dos blocos mais expressivos da política nacional, com dezenas de deputados e senadores e acesso privilegiado aos fundos públicos eleitorais e partidários.
No Amazonas, a dinâmica ganha uma roupagem especial: o governador Wilson Lima (União Brasil), que compõe a direção da federação no país, avalia a possibilidade de disputar uma vaga ao Senado Federal em 2026, enquanto o vice-governador Tadeu de Souza (PP) tem sinalizado interesse em ser candidato ao Governo do Estado.
A federação centraliza, por lei, a maior fatia do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) — estimada em cerca de R$ 953,6 milhões no total das eleições de 2026 — o que dá músculo financeiro importante para a disputa estadual e nacional.
Fundão e partido unido no tabuleiro eleitoral

A presente articulação entre PT e PP pode ter reflexos indiretos no Amazonas, sobretudo se fortalecer palanques regionais.
Mas o fato político mais relevante no Estado é a força que a federação União Brasil + PP já representa, não só em números de parlamentares, mas também na distribuição dos fundos públicos para as eleições de 2026.
Segundo estimativas, a União Progressista deve ficar com cerca de 20% do fundo eleitoral total — perto de R$ 953,6 milhões —, superando até siglas tradicionais como PT e PL.
Grana milionária

O montante milionário, somado ao Fundo Partidário (onde UB e PP historicamente figuram entre as legendas com maiores duodécimos mensais repassados pelo Tribunal Superior Eleitoral), dá vantagem financeira à federação no apoio a candidaturas fortes no Amazonas, seja ao Governo ou ao Senado.
Tal poder de fogo financeiro pode influenciar alianças locais, negociações de espaços nas majoritárias e até a estratégia de palanque do PT no Estado — um dos reflexos possíveis da aproximação nacional mencionada no Valor Econômico.
Protagonismo de Wilson e Tadeu

Enquanto o Valor Econômico destaca que PT e PP intensificam conversas para um possível acordo em 2026, ainda sem definições fechadas, a realidade prática no Amazonas é outra: a União Progressista já está no front político, com lideranças como Wilson Lima e Tadeu de Souza na corrida pelos principais cargos do Estado.
A federação deve ter acesso a uma fatia significativa tanto do Fundo Eleitoral quanto do Fundo Partidário, jogando pesado nas campanhas em todo o País, inclusive aqui no Norte.
Isso coloca o bloco como protagonista natural nas articulações políticas locais, obrigando adversários e aliados a recalibrarem estratégias eleitorais.
No Amazonas, mesmo que PT e PP busquem aproximação nacional, a federação União Brasil + PP está em casa forte e organizada, com potencial financeiro e político para projetar seus candidatos , seja para o Governo, seja para a disputa ao Senado em 2026.
Só “corrigir” a lei não basta

A tentativa da Assembleia Legislativa do Amazonas de “corrigir” a lei que vinculava automaticamente o salário dos deputados estaduais a 75% do subsídio dos deputados federais não encerra a polêmica, mas apenas muda o foco dela.
O Projeto de Lei nº 62/2026 revoga o mecanismo que garantia reajuste automático sempre que havia aumento em Brasília. O movimento veio após representação do Comitê Amazonas de Combate à Corrupção ao Ministério Público, motivada por reportagem que apontou que, desde 2023, os 24 parlamentares estaduais receberam salários idênticos aos federais, gerando cerca de R$ 6 milhões em remuneração extra até 2025.
No entanto, o ponto central permanece: o princípio da anterioridade. A Constituição é clara ao estabelecer que o subsídio de uma legislatura deve ser fixado pela legislatura anterior. Se isso não ocorreu formalmente, o problema deixa de ser apenas moral e passa a ser jurídico.
Blindagem preventiva
A proposta da Mesa Diretora da Aleam ainda tenta convalidar os pagamentos já realizados, numa espécie de blindagem preventiva contra questionamentos futuros. A estratégia busca segurança jurídica, mas reforça a percepção pública de que se tenta resolver uma controvérsia institucional com remendo legislativo.
A revogação elimina o reajuste automático, mas não necessariamente elimina o debate sobre legalidade, transparência e responsabilidade. Quando o assunto é dinheiro público, o “jeitinho” nunca encerra a discussão.
Irresponsabilidade no carnaval
A presença de crianças — inclusive de colo — em bandas de carnaval e ambientes marcados por consumo de álcool em Manaus não foi só descuido. Foi um retrato preocupante de negligência.
As fiscalizações da Central Integrada de Fiscalização mostraram o óbvio que muitos insistem em ignorar: menores estavam presentes em todos os eventos vistoriados na segunda-feira de carnaval. E não se trata de adolescentes isolados. Crianças pequenas foram encontradas em ambientes de aglomeração, som alto e consumo liberado de bebidas alcoólicas.
Ao que se sabe, a legislação é óbvia. Menores de 12 anos não podem participar de blocos com venda e consumo de álcool, mesmo acompanhados pelos pais. Ainda assim, a regra tem sido tratada como mera formalidade.
Mais grave: as irregularidades não se limitaram à presença de menores. Eventos operavam sem licença do Corpo de Bombeiros, sem documentação sanitária adequada e com consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes em áreas de livre acesso.
A culpa é de todos
A responsabilidade não pode ser empurrada apenas para organizadores de eventos momescos. Pais e responsáveis que levam crianças para ambientes sabidamente inadequados precisam ser confrontados com a gravidade de suas escolhas. Não se trata de moralismo, mas de proteção.
O carnaval é manifestação cultural legítima e direito ao lazer. Mas não pode ser justificativa para exposição de menores a riscos físicos, psicológicos e sociais.
Fiscalização é necessária. Multas também. Mas sem mudança de postura das famílias e rigor real na aplicação de sanções, o ciclo se repete a cada ano.










