
O cenário é de abandono e perigo iminente. Na última sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) realizou uma fiscalização rigorosa no lixão municipal de Iranduba, localizado no km 6, nas proximidades da Comunidade Ramal do Creuza. O que as equipes encontraram foi uma expansão desordenada de resíduos que ignora leis ambientais e sufoca a vida de quem mora no entorno.
A diligência não foi um ato isolado, mas uma resposta urgente às denúncias de moradores que veem o lixo avançar sobre suas terras e sua saúde. Representantes do IPAAM, da Sema e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente acompanharam a vistoria para coletar provas técnicas que darão base às próximas ações judiciais.
Ação jurídica e técnica
O titular do Núcleo de Interesses Coletivos (DPEIC), o defensor público Carlos Almeida, destacou que a situação atual do descarte de resíduos em Iranduba é insustentável. Segundo ele, a constatação da expansão do lixão sobre áreas sensíveis exige medidas rápidas.

“Estivemos no local com órgãos ambientais para reunir elementos técnicos. O próximo passo será aguardar os estudos solicitados para que a Defensoria defina quais medidas jurídicas serão adotadas. É evidente que a destinação dos resíduos precisa se adequar às normas nacionais”, afirmou Carlos Almeida.
Desastre ambiental identificado
O diagnóstico técnico apresentado pelo engenheiro da Defensoria Pública, Guilherme Rabelo, é alarmante. Ele explicou que o município opera de forma irregular, pois deveria contar com um aterro sanitário moderno e não com um lixão a céu aberto.
Durante a vistoria, os riscos identificados foram detalhados pela equipe técnica:
- Soterramento de córregos: há indícios graves de que um curso d’água na área foi aterrado pelo acúmulo de lixo.
- Contaminação do lençol freático: o tempo prolongado de operação irregular indica que o solo já não filtra os poluentes.
- Risco hídrico: comunidades que utilizam poços artesianos podem estar consumindo água contaminada por chorume.
- Saúde pública: a presença de resíduos atrai vetores de doenças, afetando diretamente pessoas e animais da região.
O grito das comunidades
A fiscalização é o desdobramento de um atendimento realizado no dia 28 de janeiro, quando lideranças das comunidades São Francisco, São Sebastião, Nova Conquista, Novo Paraíso e São José II relataram o sofrimento diário.
Além da poluição do ar e do solo, os moradores sofrem com a falta de infraestrutura básica. Eles apontam que o asfaltamento prometido nunca foi concluído e o pouco que existe é de baixa qualidade, dificultando até o acesso de serviços de emergência. A defensora pública Camila Campos, que atua em Iranduba, reforça que o diálogo com a prefeitura existe, mas as soluções precisam sair do papel.
O destino dos catadores
Um dos pontos mais sensíveis da inspeção foi a escuta aos catadores de materiais recicláveis. Para quem vive do que é descartado, o fechamento do lixão representa medo e incerteza econômica. Leiliane Silva, da Associação Nova Esperança, trouxe uma perspectiva humana e necessária ao debate.
“Antes de falar do fechamento do lixão, é preciso lembrar que existem vidas aqui. Somos catadores e precisamos saber onde vamos trabalhar e como será garantida a nossa sobrevivência”, afirmou Leiliane.
A Defensoria Pública garantiu que seguirá acompanhando o processo de forma técnica e responsável. O objetivo é encontrar uma solução viável para o município que garanta a preservação ambiental, a saúde dos moradores e a dignidade das famílias que dependem da reciclagem.
ASCOM: Ed Salles/DPE-AM











