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Projeto criado na zona rural de Manaus vira referência nacional e chega a Brasília

Foto: Divulgação/Semsa

Cuidar de quem vive em áreas de difícil acesso exige mais do que técnica, exige estratégia e humanidade. Um exemplo disso é o trabalho desenvolvido na Unidade de Saúde da Família Rural (USFR) Ephigênio Salles, que acaba de colocar o Amazonas no centro das atenções da saúde pública brasileira. O projeto focado em salvar vidas em comunidades isoladas foi o único da capital selecionado para a “2ª Mostra Mais Saúde com Agente”, que acontece em Brasília nos dias 18 e 19 de março.

O projeto intitulado “Cuidar onde tudo é localizado: a experiência integrada de primeiros socorros na área rural de Manaus” nasceu da percepção real de quem pisa no barro e conhece as dificuldades da rodovia AM-010. Desenvolvido pelo Agente Comunitário de Saúde (ACS) Márcio Macedo e pelo Agente de Controle de Endemias (ACE) Arlindo Jorge Bastos, a iniciativa foca em algo vital: o tempo de resposta.

Em comunidades localizadas em áreas rurais, os minutos que antecedem a chegada de uma ambulância ou o deslocamento até um hospital são decisivos. Segundo Márcio Macedo, a ideia é fortalecer a própria comunidade.

“Idealizamos o trabalho para disseminar conhecimentos básicos em primeiros socorros, ampliando a capacidade de resposta comunitária diante de situações de urgência em locais de difícil acesso”

Educação que salva vidas na prática

A integração entre os profissionais de vigilância e atenção básica permitiu que o conhecimento saísse dos postos de saúde e ocupasse espaços onde o povo está. As principais frentes de atuação incluíram:

  • Capacitação em escolas e igrejas sobre como agir em casos de afogamento e engasgos.
  • Orientações presenciais em associações de moradores adaptadas à realidade geográfica da região.
  • Uso de espaços comunitários para propagar informações preventivas que reduzem o vazio assistencial.
  • Fortalecimento da parceria entre ACS e ACE para uma vigilância em saúde muito mais eficiente.

Reconhecimento e impacto no SUS

Para o subsecretário municipal de Gestão da Saúde, Djalma Coelho, o curso técnico oferecido pelo programa federal “Saúde com Agente” foi o divisor de águas para essa qualificação. O evento em Brasília reunirá as 200 melhores práticas do Brasil, promovendo uma troca de experiências que fortalece o Sistema Único de Saúde (SUS).

O trabalho amazonense concorre ao prêmio “Programa Mais Saúde com Agente”. Se ficar entre os dois melhores da região Norte, a experiência será transformada em um documentário da série “Webdoc Mais Saúde com Agente”, servindo de modelo para outros municípios brasileiros que enfrentam desafios logísticos semelhantes.

Este reconhecimento não é apenas um certificado, mas a prova de que a distância geográfica não pode ser uma barreira para o direito à vida e ao cuidado digno.

ASCOM: Eurivânia Galúcio/Semsa

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