
Uma verdadeira corrida contra o tempo uniu os estados do Amazonas, Rondônia e Pernambuco no último domingo, dia 25 de janeiro, em uma força tarefa nacional que reafirma a eficiência da rede pública de saúde. A operação de alta complexidade envolveu a captação de órgãos em Cacoal (município localizado a 480 quilômetros de Porto Velho), e resultou em um procedimento vital realizado em Manaus. O sucesso dessa logística destaca não apenas a integração entre as centrais de transplantes, mas também a consolidação do Amazonas como um polo de referência em procedimentos hepáticos na região.
O fígado captado teve como destino o Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz, onde um paciente de 51 anos, que enfrentava um quadro grave de cirrose, recebeu uma nova chance de viver. Enquanto o órgão seguia para a capital amazonense, dois rins foram encaminhados para Pernambuco e uma córnea permaneceu em Rondônia, mostrando que o Sistema Único de Saúde (SUS) funciona como uma engrenagem única e solidária em benefício da vida.

A logística precisa entre Cacoal e Manaus
Para que um transplante seja bem-sucedido, cada minuto é determinante. A articulação envolveu aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) e uma equipe multidisciplinar que atravessou divisas estaduais para garantir a viabilidade dos órgãos.
- A equipe amazonense contou com um médico e um enfermeiro do Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz, além de um profissional da Organização de Procura de Órgãos (OPO).
- O doador era uma vítima de acidente de trânsito em Cacoal, cujo gesto de solidariedade da família permitiu salvar múltiplas vidas.
- Todo o transporte seguiu os protocolos rigorosos do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), garantindo a agilidade necessária para o sucesso da cirurgia.
Sobre o sucesso da operação, a secretária Nayara Maksoud destacou o papel fundamental da integração regional.
“Quero agradecer todo um conjunto de ações que fazem com que o Norte do País mostre a fortaleza que é o Sistema Único de Saúde”.
Hospital Delphina Aziz alcança marca histórica em transplantes hepáticos
A cirurgia realizada neste domingo representa o décimo transplante de fígado feito na unidade desde outubro de 2025, quando o hospital recebeu a habilitação do Ministério da Saúde (MS). Esse avanço é um marco para a medicina amazonense, pois permite que pacientes com doenças graves não precisem mais sair do estado em busca de tratamento.
O coordenador da Central de Transplantes do Amazonas, Marcos Lins, explicou que o paciente beneficiado estava em estado crítico na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O novo órgão traz a esperança de um recomeço após um período de internação agravado pela doença. A previsão é que o pós-operatório dure de três a cinco dias sob observação intensiva antes da ida para a enfermaria.
“Após receber o novo órgão, o paciente passará por um pós-operatório delicado, com acompanhamento intensivo na UTI. Esperamos que esse seja um recomeço para ele”, afirmou o médico Marcos Lins.
O crescimento da rede de alta complexidade no Amazonas
A transformação do Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz nos últimos anos é evidente. Desde a retomada definitiva dos serviços de transplante, a unidade já acumula números impressionantes que refletem o investimento em tecnologia e capacidade humana.
- No total, já foram realizados 277 transplantes na unidade, sendo 267 renais e 10 hepáticos.
- O hospital saltou de 35 leitos em 2018 para os atuais 362, um crescimento superior a 900%.
- Além de rins e fígados, a unidade é referência em procedimentos como o implante coclear, ampliando o acesso à alta complexidade.












