
Na inauguração do Hospital do Sangue, na segunda-feira (16), o governador Wilson Lima fez mais do que entregar leitos: montou um palco político com direito a roteiro ensaiado.
Entre uma fala sobre tecnologia de ponta e outra sobre humanização, encaixou o nome de Tadeu de Souza como quem não quer nada, mas querendo tudo.
Segundo o governador, a pré-candidatura de Tadeu está “em tratativas” com a cúpula nacional da federação União Progressista (UP).
O jogo esquenta e deixa os demais pretendentes ao Palácio da Compensa com a orelha bem em pé e as barbas mais do que de molho.
O vice que virou projeto

Ainda no mesmo evento, o governador tratou de dar verniz institucional ao seu movimento de projetar Tadeu: exaltou parceria, elogiou resultados e abriu espaço para o vice posar de herdeiro político.
Tadeu não fez por menos. Disse à imprensa que está pronto para defender o legado de Wilson.
No meio de um hospital novinho em folha, o recado foi antigo na política: “quem entrega obra, tenta eleger sucessor”, afirmou Wilson Lima.
Emendas ao vento norte

Na Câmara Municipal de Manaus, tem dinheiro público que parece ter pegado carona num vendaval.
Segundo a Agência Cenarium, os vereadores Jaildo Oliveira, Dione Carvalho e Rosinaldo Bual destinaram R$ 3,1 milhões em emendas para um instituto de difícil localização.
O tal “Vento Norte” não tem sede conhecida, atividade definida, mas teve um fluxo de caixa digno de organização muito bem estruturada, ou criminosa.
Instituto fantasma, dinheiro visível

O enredo fica ainda mais curioso quando entra em cena o ex-vereador Caio André, também entre os padrinhos da entidade multifacetada, que muda de nome mais que promessa de campanha.
Enquanto isso, os valores cresceram ano a ano, até virar milhões. O instituto pode até ser invisível, mas o dinheiro achou o caminho direitinho.
Mudança partidária em família

O deputado Dan Câmara resolveu “mudar para ficar em casa”. Sai do Podemos e aterrissa no Republicanos, presidido no Amazonas pelo irmão, deputado federal Silas Câmara.
Nada como a política para valorizar os laços familiares, especialmente quando eles também são partidários e sob a inspiração de Jesus.
Agora, resta saber de que lado Jesus ficará na disputa religiosa: com a reeleição de Dan sob a força da Assembleia de Deus, ou com a reeleição do deputado João Luiz sob a bandeira da Igreja Universal.
Terrorismo ou semântica?

Trumpista, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, resolveu subir o tom e tratar facções como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
A fala ecoa na região e pressiona o debate, mas exige cuidado: mudar a classificação não é só retórica, tem impacto jurídico, diplomático e operacional. Não é por aí.
Lula no meio do fogo cruzado

Enquanto isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta manter o discurso de cooperação regional sem embarcar totalmente na rotulagem do seu colega boliviano.
O problema é que vizinhos já avançaram nessa direção, e o Brasil corre o risco de ficar isolado ou, no mínimo, pressionado a decidir se chama de terrorismo ou continua tratando como crime organizado “tradicional”.
Cesta básica e Alfredo

Os números do Procon Manaus e do Procon Amazonas dizem que arroz, feijão e óleo ficaram mais baratos.
Mas, para o ex-prefeito Alfredo Nascimento, a sensação é outra: “tudo caro”, como se o carrinho do ex-prefeito só passasse na prateleira do café.
De fato, café e ovos subiram e pesam no bolso e no humor. Mas generalizar que “tudo aumentou” é aquele velho clássico da política: quando o dado não ajuda, a memória dá uma forcinha. No fim, o consumidor segue fazendo conta, e político fazendo discursos demagógicos.










