Famosos Wagner Moura questiona intolerância política e diz querer conversar com a direita

Wagner Moura questiona intolerância política e diz querer conversar com a direita

Wagner Moura – Foto: Reprodução/TV Globo

O ator e diretor Wagner Moura demonstrou exaustão com os constantes ataques virtuais e públicos que recebe devido aos seus posicionamentos ideológicos. Durante uma entrevista concedida ao programa “Conversa com Bial” exibida na noite desta terça-feira (4/8) o artista expressou um desejo claro de dialogar abertamente com pessoas de direita.

A conversa gravada na cidade de Atenas na Grécia aprofundou temas complexos como tolerância democracia e o sistema capitalista além de trazer detalhes sobre a sua peça atual em turnê intitulada “Um Julgamento”.

A análise crítica da entrevista revela um profissional que busca resgatar a racionalidade no debate público onde as divergências deveriam ser baseadas na interpretação de uma mesma realidade e não na desconstrução dos fatos.

Ameaça à nossa democracia

O artista destacou que a intolerância e a distorção dos acontecimentos formam perigos reais para a sociedade contemporânea.

“A tolerância é um fator fundamental, um pilar da democracia. Você tem que ser tolerante. O que, para mim, é assustador é que não estamos mais vendo a realidade da mesma forma”, pontuou Wagner Moura.

Para ele o embate político perdeu a sua base lógica e racional dificultando qualquer avanço social.

“Eu lembro de uma época em que esquerda e direita, se a gente polarizar a coisa, brigavam, discutiam, mas estavam vendo o mesmo fato. Hoje, os fatos não importam mais. Não sei o que fazer. Se os fatos deixam de ser relevantes, deixam de existir, e passam a existir versões da realidade, se eu tenho a minha realidade e você tem a sua, e agora?”, questionou o ator.

O tema da ruptura institucional foi objeto de estudo profundo durante a preparação para o seu filme “Guerra Civil” lançado nos cinemas em 2024.

“A maior ameaça à democracia que esses caras inventaram aqui é a polarização. Fiz o filme ‘Guerra Civil’ e estudei muito sobre os fatores que levam países a deixarem de ser democráticos para se tornarem autoritários”, explicou Wagner Moura.

“A polarização política, o descrédito no governo, dizer ‘isso não me representa’ e ‘não preciso disso’ complica. Por isso, governos autoritários tendem a aparecer como se não fossem da política, como se estivessem fora do sistema. Vai se descredibilizando o sistema democrático, não apenas de eleger seus representantes, mas de você, como cidadão, interferir”, alertou Wagner.

Poder do afeto sincero

O apresentador Pedro Bial relembrou o encerramento da peça teatral em que a filha do protagonista segura a mão do pai promovendo a reconciliação familiar com o irmão. Esse gesto artístico reflete a crença inabalável do ator no poder da empatia.

“No final, o que importa é o amor. É um clichê, mas é verdade. É o afeto, é o que a gente sente pelas pessoas que estão próximas da gente. E, se tiver empatia suficiente, pelos outros também, inclusive os que pensam diferente da gente. Estou cansado de ser odiado por uma galera. É cansativo”, desabafou Wagner Moura.

Apesar do forte desgaste emocional imposto pelos críticos ele garante que não mudará a sua postura cidadã.

“Eu vou morrer dizendo as coisas que acho. Posso estar errado, mas a minha natureza é dizer o que penso”, garantiu o artista.

Justiça social e prosperidade

As críticas frequentes que apontam uma suposta incompatibilidade entre a sua ascensão financeira e o alinhamento ao pensamento de esquerda foram rebatidas com veemência e ironia.

“Quando eu estava lá em Rodelas e era pobre, aí eu poderia ser de esquerda, né? Parece que existe um portal pelo qual você passa. Queria saber qual é o teto, quanto você precisa ganhar para deixar de acreditar em justiça social”, indagou Wagner Moura referindo se à sua cidade natal na Bahia.

O artista evidenciou a contradição e a superficialidade desse tipo de julgamento perante a opinião pública.

“Que portal é esse pelo qual você passa e, se prosperar no seu trabalho, tem que deixar de acreditar que os outros também merecem aquilo? Que você é uma exceção e conseguiu? Eu não entendo muito esse raciocínio”, refletiu Moura.

Falsa acusação de hipocrisia

Residir no exterior e desfrutar de conforto geram apontamentos constantes de hipocrisia que o ator classifica como desprovidos de embasamento e lógica.

“Eles falam ‘Você é um hipócrita porque está aqui, em Atenas, tomando vinho com Pedro Bial e acredita que as pessoas que moram na favela merecem ser tratadas com decência’. Eu não entendo essa crítica”, disse Wagner Moura.

Ele fez questão de resgatar o seu histórico de vida e as suas vivências no interior baiano para fundamentar a sua visão de mundo.

“Eu sou o mesmo cara que estava em Rodelas, que presenciou o trabalho escravo e cujo pai era sargento. Eu sou esse cara”, reafirmou o ator.

Incentivo e políticas públicas

A sua trajetória profissional vitoriosa foi impulsionada por ações governamentais concretas na década de 1990 na cidade de Salvador fato que ele reconhece com gratidão.

“Eu prosperei porque, em Salvador, nos anos 1990, havia uma lei de incentivo à cultura que fez com que eu, Vladimir Brichta e Lázaro Ramos pudéssemos trabalhar, construir uma história e ter uma carreira de ator. Eu prosperei por isso”, recordou Wagner Moura valorizando o suporte estatal à classe artística.

Debate sobre gastos públicos

O ator considera essencial e urgente debater os temas econômicos práticos propostos pelos conservadores rejeitando que essas pautas sejam substituídas por meros ataques pessoais à sua figura.

“Eu queria ter uma interação com a direita e poder conversar com eles sobre os assuntos que essa peça traz. Acho uma discussão superválida o Estado tem que ser pequeno ou grande? Quanto o Estado tem que gastar? Isso é fundamental”, sugeriu Wagner Moura.

Ele aponta que o debate real e construtivo acaba sendo sufocado pelo preconceito e pelas falácias argumentativas de seus críticos.

“A esquerda sempre diz ‘A gente quer seguridade social, cultura e educação gratuita’. E a direita faz uma pergunta que acho justa ‘Quem vai pagar? São os contribuintes? Vamos aumentar os impostos?’. Essa discussão é muito boa, mas ela não acontece. O papo dos caras é ‘Ele mora nos Estados Unidos e trabalha lá, então não pode falar do Brasil’, ‘ele prosperou na carreira, como pode ser de esquerda?’, ‘não é gay e defende gay’, ‘não é preto e defende preto'”, concluiu Wagner Moura.

 Fonte: https://www.uol.com.br/splash/noticias/2026/08/05/wagner-moura-dialogar-direita.ghtm

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