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Vistos negados à equipe de Pezeshkian expõem novo atrito entre EUA e Irã na ONU

A decisão dos Estados Unidos (EUA) de negar vistos a integrantes da delegação do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, incluindo membros da sua equipe de comunicação, acendeu um alerta crítico nos bastidores da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.

A medida, divulgada nesta segunda-feira (21/9) pela Agência de Notícias da República Islâmica (IRNA), explicita o isolamento do diálogo diplomático às vésperas do encontro multilateral. A agência estatal iraniana classificou a ação promovida pelo governo americano como uma “medida hostil sem precedentes”.

Apesar das restrições operacionais, o porta-voz da Presidência iraniana confirmou, por meio da agência Mehr, que Masoud Pezeshkian manterá seu pronunciamento na tribuna das Nações Unidas na próxima quarta-feira (23). O cronograma oficial da Assembleia Geral da ONU prevê sessões até o dia 26 de setembro, com retomada dos trabalhos no dia 28 de setembro.

Ultimato de Donald Trump

A barreira na concessão de vistos ocorre em meio ao endurecimento do tom adotado pelo presidente americano Donald Trump contra o governo de Teerã. Em entrevista transmitida pela emissora Fox News no domingo (20), o líder norte-americano afirmou que as alternativas para lidar com o país persa se resumem a “aniquilar o Irã”, deixar sua economia “apodrecer” ou fechar um acordo formal.

“É melhor que se comportem”, disse Donald Trump.

Conforme relatos do correspondente Trey Yingst, da Fox News, o presidente dos EUA declarou estar em “modo de decisão” e indicou que “coisas muito grandes” podem ocorrer em breve no cenário geopolítico.

Ameaça de retaliação armada

A reação militar iraniana ocorreu de forma imediata e ostensiva. O comando militar Khatam al-Anbia advertiu que qualquer investida americana resultará em respostas diretas contra alvos dos EUA distribuídos pelo Oriente Médio.

“Se os EUA cometerem qualquer erro contra a República Islâmica do Irã, nossas forças atacarão todas as posições e interesses americanos na região de forma sustentada, eficaz e dolorosa”, divulgou a agência estatal Tasnim, ao reproduzir a nota do comando militar iraniano.

Impasse no Estreito de Ormuz

No campo econômico e de navegação, a disputa afeta diretamente o Estreito de Ormuz, hidrovia estratégica por onde transitavam 20% do petróleo e do gás natural consumidos no mundo antes do início do conflito. O governo do Irã comunicou aos EUA, utilizando o Catar como ponte diplomática, suas exigências para a reabertura do tráfego marítimo.

As condições apresentadas por Teerã preveem:

  • Encerramento definitivo da guerra em todas as frentes de combate;
  • Desbloqueio imediato dos recursos financeiros iranianos retidos no exterior;
  • Fim do bloqueio naval promovido por Washington.

Em resposta às exigências, o governo dos EUA recusou os termos e mantém um contrabloqueio focado nos portos iranianos.

Restrições severas em Nova York

Embora tenha vetado a equipe de imprensa e assessores, o Departamento de Estado americano autorizou a entrada da comitiva diplomática principal, impondo sanções administrativas durante a estadia em Nova York. Os delegados iranianos estão proibidos de adquirir produtos de luxo ou quaisquer mercadorias no comércio local. O secretário de Estado, Marco Rubio, reforçou que a delegação autorizada a viajar é “menor do que no ano passado”.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, que integra o grupo oficial, embarcou de Teerã na noite de domingo (20), realizando uma escala técnica no Catar antes de seguir para os Estados Unidos.

Fonte: https://revistaoeste.com/mundo/eua-negam-vistos-a-integrantes-da-delegacao-iraniana-para-assembleia-da-onu/

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