
O governador e candidato à reeleição, Roberto Cidade (UP), encerrou em Parintins uma intensa agenda de quatro dias por treze municípios amazonenses. A maratona cumpriu o papel político de mobilizar bases do interior e apresentar diretrizes para um eventual segundo mandato. O destaque ficou por conta do plano voltado à piscicultura, batizado de “Amazonas Potência no Pescado”, além de compromissos com a economia criativa e obras de infraestrutura.
A proposta foca em pontos fracos históricos da produção rural do estado, como a falta de assistência técnica regular, o crédito burocrático e a escassez de frigoríficos para conservação. O peixe amazonense, apesar da abundância e qualidade, sofre com entraves logísticos e de certificação sanitária que impedem sua inserção competitiva no mercado nacional.
Prometer apoio via Agência de Fomento do Estado do Amazonas (AFEAM) e atração de capital privado aponta caminhos corretos, mas esbarra na viabilidade operacional e na capacidade do estado em entregar garantias estruturais.
Desafios do setor pesqueiro
Gerar trabalho e renda na calha dos rios exige mais que anúncios em palanque. O setor pesqueiro estadual enfrenta gargalos que vão além do financiamento, englobando licenças ambientais lentas, custo do transporte fluviométrico e ausência de energia estável em polos de processamento.
A inclusão do estímulo à indústria local de ração é relevante, visto que o insumo hoje encarece a produção no interior. No entanto, a viabilização de polos frigoríficos depende de parcerias com o setor privado que historicamente hesita em investir sem infraestrutura básica garantida.
O discurso de valorização do produtor rural encontra eco positivo entre trabalhadores das calhas do Solimões, Juruá e Médio Amazonas, conforme relatam lideranças regionais. A percepção de pertencimento ao plano de governo gera otimismo eleitoral, mas cobra responsabilidade técnica na formulação das metas para evitar que o incentivo fique restrito à propaganda de campanha.
Economia criativa e turismo
Além do setor primário, Parintins foi palco para promessas ligadas à cultura e ao turismo. A proposta de construir um novo Bumbódromo e ampliar qualificações para o setor de serviços busca explorar o potencial das festas populares. Todavia, a economia criativa precisa de investimentos contínuos durante todo o ano, sem se concentrar apenas na época dos grandes festivais de bois-bumbás.
Durante a circulação pelas calhas do estado, o candidato também reforçou bandeiras assistenciais e de saúde, incluindo o aumento do valor do “Auxílio Estadual” para R$ 250 e a criação de unidades hospitalares especializadas. A ampliação do gasto social exige planejamento orçamentário rigoroso diante das oscilações de arrecadação do estado.
Cenário e alianças eleitorais
A coligação “União Pelo Amazonas” reúne a Federação União Progressista, Podemos e PSB, mantendo na chapa o vice-governador Serafim Corrêa e o ex-governador Wilson Lima na disputa ao Senado. A aliança demonstra peso político e capilaridade nas prefeituras do interior, elemento decisivo no processo eleitoral.
O grande teste para Roberto Cidade será provar ao eleitorado que as propostas apresentadas na maratona de quatro dias possuem viabilidade financeira e administrativa imediata. O eleitor do interior, diretamente afetado pelos desafios de transporte, saúde e renda, aguarda soluções definitivas que superem o ciclo de promessas de campanha.
Fonte: ASCOM










