
O cenário dos esportes eletrônicos no Brasil enfrenta uma das maiores reviravoltas de sua história com o anúncio recente da Riot Games. A partir desta quarta-feira (18/03) a desenvolvedora passará a bloquear o acesso de jogadores menores de 18 anos em seus principais títulos.
A decisão não é apenas uma escolha empresarial mas uma resposta direta às novas exigências do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Essa medida levanta um debate necessário sobre o equilíbrio entre a proteção de menores e a liberdade de acesso ao entretenimento digital no país.
Mudança na lei
A adequação da empresa ocorre em um momento de transição jurídica importante para o Brasil. As novas diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que entram em vigor agora em março de 2026 exigem controles muito mais rígidos sobre o consumo de conteúdo por adolescentes.
Para evitar sanções pesadas a Riot Games optou por elevar temporariamente a classificação etária de seus jogos. Essa manobra jurídica visa garantir que a empresa esteja em total conformidade com a legislação brasileira enquanto ajusta suas ferramentas internas de monitoramento.
Jogos afetados
A restrição é abrangente e atinge o coração da comunidade gamer. Títulos extremamente populares como o “League of Legends” (LoL) e o “Teamfight Tactics” serão bloqueados para quem não atingiu a maioridade. Outros projetos como o “League of Legends: Wild Rift”, o “2XKO” e o “Legends of Runeterra” também entram na lista de acesso proibido.
Já o jogo “Valorant” terá um tratamento diferenciado. Ele não sofrerá o bloqueio total mas passará a exigir uma autorização formal dos pais para usuários entre 12 e 17 anos. O processo funcionará através do portal de controle parental da empresa onde o responsável legal precisará validar o acesso via e-mail.
Regras de acesso
O processo de verificação começa a valer de forma obrigatória já nesta segunda-feira (16/03). Os jogadores que possuem 18 anos ou mais precisam comprovar sua idade para continuar utilizando os serviços. A empresa disponibilizou diversos métodos para facilitar essa transição.
- Uso do número do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF).
- Validação por meio de cartão de débito ou crédito.
- Envio de foto de documento de identidade oficial.
- Estimativa de idade através de sistemas de reconhecimento facial.
“Alguns jogadores poderão ver uma solicitação para verificar sua idade ao fazer login em sua conta da Riot”, destacou a Riot Games em comunicado oficial para a comunidade brasileira.
Contas seguras
Muitos jovens estão preocupados com o destino de suas conquistas e itens comprados nos jogos. A empresa garantiu que as contas dos menores de idade não serão deletadas mas sim pausadas temporariamente. Todo o conteúdo acumulado permanecerá preservado e seguro até que o jogador complete 18 anos ou que a classificação etária dos títulos seja revista pela justiça brasileira. A expectativa é que esse cenário de bloqueio total seja revertido até o início de 2027 após novas avaliações das funcionalidades de segurança dos jogos.
Fique por dentro
A utilização do sistema terceirizado Kids Web Services mostra que a indústria está investindo pesado em tecnologias de proteção de dados. No entanto a medida causa um impacto imediato nas ligas competitivas de base onde muitos talentos começam a se destacar antes dos 18 anos.
É um momento de adaptação para o mercado e para as famílias que agora precisam participar mais ativamente da vida digital dos filhos. O sucesso dessa transição dependerá da clareza na comunicação entre a empresa e os órgãos reguladores para que o Brasil não fique isolado do cenário global de games.










