
A preservação da floresta amazônica ganha um novo fôlego com a atualização e o credenciamento de Agentes Ambientais Voluntários (AAVs) na comunidade Bela Vista do Jaraqui, em Manaus.
A iniciativa da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA) na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga Conquista, realizada entre os dias 20 e 22 de março, reforça uma estratégia essencial para a sobrevivência do bioma: o empoderamento de quem vive nela.
Ao todo, 16 moradores foram oficializados como braços direitos da gestão pública no monitoramento e na educação ambiental de seus próprios territórios.
O programa não é apenas uma formalidade burocrática, mas uma peça fundamental no tabuleiro da conservação. Os agentes atuam na linha de frente, traduzindo regras complexas de legislações ambientais para a realidade do dia a dia das comunidades.
Educação ambiental e vigilância
A formação desses voluntários abrange desde conceitos ecológicos profundos até o ordenamento pesqueiro e educomunicação. O objetivo é transformar o morador em um multiplicador de conhecimentos que pensa no bem comum e nas gerações futuras.
- Credenciamento de representantes das comunidades Bela Vista do Jaraqui, São Francisco do Chita, Barreirinha e Tatulândia.
- Entrega de fardamento completo com camisa de identificação, chapéu, bolsa personalizada, carteira e certificado.
- Foco na disseminação de regras de uso da Unidade de Conservação (UC) e orientações sobre práticas sustentáveis.
- Apoio direto da Associação de Povos e Comunidades Tradicionais (APCT) da RDS Puranga Conquista.
O legado de pai para filha
Um dos pontos mais marcantes desta etapa em 2026 é a renovação geracional. Raimundo Leite, um dos pioneiros do programa e atual presidente da APCT, viu sua filha de 19 anos, Lisândra Leite, receber o credenciamento. Para o veterano, o título de agente ambiental voluntário trouxe maturidade e consciência sobre o papel de liderança.

“Senti o peso da responsabilidade de usar esse nome e de botar uma farda, e o comprometimento que eu tinha que ter com as comunidades”, relatou Raimundo.
Lisândra agora assume a bandeira da proteção da floresta, trazendo o vigor da juventude para um trabalho que exige persistência. Ela destaca a importância de os jovens conhecerem o local onde moram e aprenderem a preservar o que é seu por direito. A meta da nova guardiã é deixar um legado e inspirar outros jovens da reserva a se tornarem protetores da natureza.
Conscientização coletiva na prática
A gestora da unidade, Shayene Rossi, explica que o papel do agente é vital para que as normas da reserva sejam respeitadas por todos. Sem a presença desses voluntários, a fiscalização em áreas remotas seria muito mais difícil e menos humana. O programa aposta na perspectiva de melhoria da qualidade de vida, unindo a proteção da biodiversidade ao desenvolvimento social dos comunitários.

“O AAV é importante no processo educativo, principalmente na disseminação de iniciativas onde a pessoa vai trabalhar de forma coletiva”, destacou Edilene Neri, assessora do DEMUC.
Essa rede de proteção voluntária mostra que a conservação da Amazônia só é plena quando envolve, respeita e valoriza o ribeirinho como o principal protagonista da floresta em pé.










