
O auditório Belarmino Lins, na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), tornou-se o centro de um debate urgente nestas terça e quarta-feiras, 24 e 25 de março. O seminário “Juventude Amazônica: conhecer para decidir, agir para transformar!” reuniu especialistas e gestores para encarar de frente um dos maiores gargalos sociais do nosso estado, a gravidez precoce. Organizado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), o evento busca não apenas discutir estatísticas, mas tirar do papel políticas públicas que realmente alcancem as jovens das periferias e do interior profundo.
A análise crítica desse cenário revela que, em uma região com distâncias continentais como a nossa, a informação sozinha não basta. É necessário que a rede de proteção seja tão vasta quanto os nossos rios. A iniciativa de integrar saúde, justiça e assistência social é um passo acertado, mas a verdadeira prova de fogo será a implementação desses fluxos nas pontas, onde o acesso ao atendimento humanizado ainda esbarra em barreiras geográficas e culturais. O foco na população de 10 a 19 anos acende um alerta sobre a necessidade de proteger a infância e garantir que o planejamento familiar chegue antes da vulnerabilidade.
Estratégias e métodos
Um dos pontos altos do seminário foi a discussão sobre a ampliação da oferta de métodos contraceptivos de longa duração (LARC), como o implante subdérmico (Implanon). A estratégia é defendida pelo Ministério da Saúde (MS) como uma solução prática e segura para o público adolescente a partir dos 14 anos, reduzindo drasticamente as chances de falha por esquecimento.
Os principais eixos trabalhados durante a programação foram os seguintes.
- Qualificação contínua dos profissionais para um acolhimento sem julgamentos e mais resolutivo.
- Elaboração coletiva de um fluxo de atendimento para casos de suspeita ou confirmação de gravidez na adolescência.
- Discussão sobre as vulnerabilidades específicas de populações ribeirinhas e dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).
- Fortalecimento da rede integrada entre SES-AM, Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) e Tribunal de Justiça (TJAM).
- Implementação de protocolos do Planejamento Anual de Saúde (PAS) 2026 voltados ao atendimento em situações de violência.
Vozes da gestão
A secretária de Estado de Saúde, Nayara Maksoud, reforçou que a preparação das equipes é o motor para uma assistência mais acolhedora.
“A qualificação contínua dos profissionais é um eixo fundamental para o aprimoramento da assistência. Estamos preparando as equipes para um atendimento mais qualificado, acolhedor e voltado às necessidades dos jovens”, afirmou a secretária.

No mesmo tom, a coordenadora-geral do Ministério da Saúde, Luciana Almeida, destacou a importância de garantir que as adolescentes tenham suas necessidades atendidas pelo SUS de forma qualificada. Segundo ela, ampliar o acesso a métodos como o Implanon representa um avanço importante, dada a alta eficácia e adequação desse recurso para a faixa etária em questão.
Impacto no cotidiano

Para quem está na linha de frente, como a enfermeira Esmirna Marques, a troca de experiências no seminário é vital para atualizar os fluxos diante das demandas reais do dia a dia. A construção de instrumentos práticos, mencionada pela secretária executiva Diana Lima, visa assegurar que a resposta do Estado seja articulada entre os diversos níveis de atenção, evitando que a jovem se sinta desamparada pelo sistema.
O seminário termina com a missão de transformar essas oficinas e mesas-redondas em ações concretas no interior do Amazonas. Garantir direitos e oferecer cuidado integral à juventude amazônica é, antes de tudo, garantir que esses jovens possam decidir sobre seus próprios futuros com saúde e dignidade. A integração entre os diferentes atores da proteção social é o caminho para que a “transformação” citada no título do evento não fique apenas no discurso das autoridades.










