
A movimentação política para a sucessão presidencial ganha um novo tom em Brasília com o centrão apostando alto em Ronaldo Caiado. O objetivo real do bloco não é a vitória no primeiro turno, mas sim acumular força para ditar os rumos do próximo governo.
Ter um nome próprio na disputa funciona como um passaporte para garantir influência, ministérios e o controle de fatias generosas do orçamento.
Para os partidos que formam o grupo, lançar Ronaldo Caiado serve como um instrumento de valorização imediata. Ao manter um candidato no páreo, o bloco aumenta o valor do seu apoio em uma eventual etapa final.
Gilberto Kassab (PSD) tem defendido o governador de Goiás como a melhor alternativa contra a polarização, mas os bastidores sugerem uma estratégia puramente pragmática para garantir cargos estratégicos na administração federal.
Polarização domina
Enquanto as cúpulas partidárias fazem cálculos, o eleitor brasileiro segue concentrado nos dois polos tradicionais. O último levantamento do Paraná Pesquisas, divulgado em 07/04, confirma que o presidente Lula lidera com 41,3% das intenções de voto. Em segundo lugar aparece Flávio Bolsonaro, com 37,8%.
Já Ronaldo Caiado registra apenas 3,6% na preferência do público. Outros nomes alternativos, como Romeu Zema, também apresentam índices baixos. Isso reforça a tese de que o discurso de uma terceira via ainda não encontra eco nas ruas e continua restrito aos gabinetes.
Sem adesão popular
Especialistas classificam essa movimentação como flexível e fisiológica. Como o grupo não possui compromissos ideológicos rígidos, ele se torna o aliado ideal para qualquer um dos lados que chegue ao segundo turno em troca de benefícios práticos.
A grande dificuldade é que esses movimentos costumam nascer de acordos entre líderes e não de um clamor popular real.
Fracassos passados
A tentativa de quebrar o domínio entre os principais campos ideológicos é um desafio histórico no país. O caminho para quem tenta esse espaço é marcado por uma fragmentação constante:
- Marina Silva: Principal voz em 2010 e 2014, chegou a alcançar quase 20% dos votos.
- Ciro Gomes: Liderou esse campo em 2018 com 12,4%.
- Simone Tebet: Obteve apenas 4,1% das intenções de voto em 2022.
Jogo de cúpula
Sem uma base social forte que sustente o projeto, a candidatura acaba servindo apenas para o jogo interno de Brasília. Cientistas políticos explicam que a terceira via no Brasil costuma ser fruto de conversas entre presidentes de partidos e não de um movimento orgânico do povo.
No fim das contas, a estratégia parece ser menos sobre governar o país e mais sobre garantir quem terá as chaves dos cofres nos próximos quatro anos.










