
O anúncio de uma redução no preço de um item essencial para a sobrevivência das famílias sempre é recebido com expectativa. No entanto, quando analisamos os dados frios da realidade, a queda centenária de centavos ou poucos reais no valor do botijão de gás de cozinha serve mais como um alerta sobre o custo de vida do que como um alívio real para o trabalhador. Em Manaus, onde o salário mínimo precisa ser desdobrado para cobrir energia elétrica cara e alimentação básica, abastecer o fogão continua sendo um desafio mensal.
O monitoramento recente dos preços ajuda a dar transparência ao mercado, mas também expõe a grande disparidade de valores praticados entre as zonas da capital amazonense.
Variações no bolso
A divulgação da “Pesquisa Mensal de Preços do Gás de Cozinha” referente ao mês de julho, realizada pelo Serviço de Atendimento e Proteção ao Consumidor (Procon Manaus), revelou oscilações tímidas no mercado local. O estudo foi realizado no dia 9 de julho e fiscalizou o preço do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) em 29 estabelecimentos comerciais de diferentes bairros da cidade.
Para garantir a precisão dos dados, a metodologia aplicada utilizou uma coleta híbrida de informações. A equipe técnica do órgão cruzou dados oficiais da Agência Nacional do Petróleo (ANP), realizou cotações diretas nas revendedoras da marca Amazongás e monitorou os preços nos canais digitais oficiais da distribuidora Fogás.
Embora o levantamento sirva para dar norte aos consumidores, as variações mostram que o preço final exige pesquisa rigorosa para quem quer economizar.
Detalhes da pesquisa
Os números consolidados pelo órgão de defesa do consumidor revelam oscilações tanto para baixo quanto para quebras de orçamento, dependendo do tamanho da botija escolhida pelo morador.
- A botija de 13 kg da marca Fogás registrou o menor preço de R$ 123 e o maior valor de R$ 130 nos pontos de venda, apresentando uma redução de 2,37% ou R$ 2,99 em relação aos R$ 125,99 cobrados em junho
- O modelo de 13 kg da distribuidora Amazongás foi encontrado pelo menor valor de R$ 121 e pelo maior preço de R$ 134, o que representa um recuo de 1,63% ou R$ 2 na comparação com o mês anterior, quando custava R$ 123
- O vasilhame de 8 kg da Fogás apresentou aumento de 1,27% ou R$ 1 na comparação mensal, passando a custar entre R$ 79,99 e R$ 84,99 nas prateleiras dos revendedores
- O vasilhame de 7 kg da Amazongás registrou queda de 2,60% ou R$ 2, flutuando entre R$ 75 e R$ 86 de acordo com o estabelecimento visitado
A variação de preços de uma mesma marca entre diferentes bairros reforça a necessidade de o consumidor carregar a tabela de preços debaixo do braço na hora da compra.
Peso no orçamento
Apesar de as reduções percentuais parecerem positivas no papel, o valor absoluto do botijão de 13 kg, que gira em torno de R$ 121 a R$ 134, compromete quase 10% do rendimento de quem recebe um salário mínimo.
Além disso, o Procon Manaus faz um alerta importante de que os valores coletados são referentes apenas ao dia da pesquisa, podem sofrer alterações sem aviso prévio e não incluem as taxas de entrega em domicílio, que costumam encarecer ainda mais o produto.
A administração pública defende que manter esses dados públicos é uma forma de equilibrar as forças entre fornecedores e compradores.
“Além de registrar as variações de preços, o levantamento permite observar o comportamento do setor ao longo dos meses e fornece informações que auxiliam tanto os consumidores quanto as ações desenvolvidas pelos órgãos de defesa do consumidor”, afirmou Onilda Abreu, presidente do Procon Manaus.
A verdadeira fiscalização, contudo, ainda reside na capacidade de escolha do cidadão. Enquanto o preço do gás de cozinha não sofrer uma redução estrutural profunda, a tabela do órgão municipal continuará sendo uma ferramenta de sobrevivência diária para as famílias manauaras.
Confira a pesquisa completa
Fonte: ASCOM | Lara Bernardes/Procon










