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Plano ‘Sisnama 2036’ promete integração, mas esbarra na velha falta de recursos nos municípios

Eduardo Taveira, secretário da Sema - Foto: Divulgação/Sema

A discussão sobre o futuro da governança ambiental no Brasil ganhou um capítulo decisivo nesta quarta-feira, 8 de abril. A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) participou ativamente do debate sobre a construção do Plano Decenal do Sistema Nacional de Meio Ambiente, conhecido como “Sisnama 2036”.

O objetivo é claro, criar uma ponte eficiente entre Brasília e os municípios da Amazônia. No entanto, a grande questão que fica no ar é como garantir que um plano estratégico funcione na complexidade geográfica de um estado com dimensões continentais e desafios históricos profundos.

Gargalo financeiro

Eduardo Taveira, secretário da Sema e representante da Associação Brasileira de Entidades do Meio Ambiente (Abema), trouxe à tona o ponto mais sensível da proposta, o dinheiro. Não adianta descentralizar a responsabilidade da fiscalização e do licenciamento se o recurso financeiro continua concentrado na União.

O Amazonas defende que a transferência de verbas precisa ocorrer de forma direta e robusta, assegurando que os municípios tenham oxigênio para trabalhar. Sem estrutura financeira, as prefeituras correm o risco de receber uma carga de obrigações que não conseguem carregar, o que sobrecarrega sistemas que já operam no limite.

“A descentralização não pode se restringir à execução das políticas; ela precisa vir acompanhada de estrutura, recursos e capacidade técnica”, ressaltou Eduardo Taveira.

Prioridades estratégicas

O Sisnama 2036 busca corrigir falhas históricas de integração entre os entes federativos. O diagnóstico feito pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) serviu de base para as metas que agora estão sob análise da sociedade.

  • Autonomia financeira: criação de mecanismos para repasse de recursos no modelo fundo a fundo para estados e municípios.
  • Integração regional: fortalecimento da governança para que as decisões nacionais respeitem as realidades geográficas locais.
  • Licenciamento ambiental: adaptação das novas regras da lei à capacidade operacional real de cada região brasileira.
  • Capacidade técnica: investimento em treinamento e tecnologia para reduzir a insegurança jurídica nos processos ambientais.

Risco de insegurança

Um dos pontos de alerta levantados no encontro foi o impacto da nova “Lei de Licenciamento Ambiental”. Se os estados não estiverem devidamente equipados com pessoal qualificado e sistemas modernos, o sistema nacional pode sofrer uma fragilização perigosa.

O resultado disso seria um aumento na insegurança jurídica para quem deseja investir de forma sustentável e uma dificuldade crônica em implementar proteções que realmente funcionem no terreno.

O Amazonas, pela sua imensidão, é o maior exemplo de que a gestão ambiental exige presença física e tecnológica constante.

Voz da sociedade

O debate sobre o fortalecimento do sistema não está restrito apenas aos gestores públicos. A consulta pública sobre o plano Sisnama 2036 segue aberta até o dia 24 de abril na plataforma do Brasil Participativo. É a oportunidade para que técnicos, pesquisadores e a sociedade civil contribuam com críticas e sugestões.

O sucesso dessa agenda para a próxima década dependerá diretamente da capacidade do Governo Federal de ouvir quem está na ponta do sistema, enfrentando os desafios reais da preservação e do desenvolvimento sustentável na Amazônia.

Fonte: https://www.agenciaamazonas.am.gov.br/noticias/sema-amazonas-defende-descentralizacao-financeira-do-sistema-nacional-de-meio-ambiente/

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