
Por Marcos Maurício Costa (*)
Nesta sexta-feira (27/3), a rodovia BR-319, que liga Manaus, capital do Amazonas, a Porto Velho, capital de Rondônia, completa 50 anos desde que foi oficialmente inaugurada, em 1976, durante o governo Geisel.
Não é demais lembrar, conforme já escrevi em outros artigos de opinião, que essa rodovia, por ocasião da sua inauguração, era totalmente asfaltada nos seus 885 quilômetros.
Infelizmente, por ausência de manutenção e conservação, falta de controle de peso e até por evidências que sugerem uma destruição deliberada do segmento central, de 405 quilômetros (Km 250,7 ao 656,4), a BR-319 foi fechada ao tráfego interestadual ordinário, em 1988.
Em 2015, após 27 anos, foi reaberta e a partir do ano seguinte (2016), o transporte de pessoas e cargas – sobretudo no verão amazônico, período de menor índice pluviométrico na região – voltou a operar com regularidade, na BR-319, resultado da emissão de licenças ambientais, pelo IBAMA, e da subsequente retomada dos serviços de manutenção e conservação do leito estradal, e da reconstrução das pontes de madeira, pelo DNIT.
Transformada em um escancarado PALANQUE ELEITORAL, as narrativas que envolvem a repavimentação da BR-319 continuam influenciando o imaginário popular, decisões oficiais e definindo políticas públicas.
O cinquentenário da BR-319, em ano eleitoral, é um “prato cheio” para alguns “aproveitadores de plantão”, estejam no exercício de mandatos ou ávidos para exercê-los.
É curioso, inclusive, a indignação seletiva de alguns a respeito da nossa infraestrutura rodoviária.
Enquanto as nossas rodovias estaduais seguem abandonadas pelo Governo do Amazonas, a exemplo:
- AM-364 (Ramal da Democracia).
- AM-454 (Codajás-Anori).
- AM-329 (Envira).
- AM-363 (Rodovia da Várzea).
- AM-254 (Autazes).
- Subtrechos da AM-352 (Novo Airão).
- AM-010 (Manaus-Itacoatiara), até o Rio Preto da Eva.
Reina o silêncio de alguns defensores da repavimentação da BR-319 (rodovia federal), em uma clara demonstração de subserviência política e seletividade oportunista.
Algozes da BR-319 que tentaram transformá-la, no passado, em ferrovia, agora apresentam-se como defensores da estrada.
Outros, com a missão constitucional de fiscalizar o Poder Executivo estadual, optam por denunciar o abandono da BR-319 e calam-se diante do escândalo que envolve a destruição do nosso patrimônio rodoviário estadual.
- CONCLUSÃO: o Amazonas segue atolado em uma lama de promessas não cumpridas, envolto em um engodo de narrativas que manipulam e aprisionam a nossa população.
Enquanto isso, a nossa infraestrutura rodoviária estadual segue ladeira abaixo, evidenciando a violação de direitos sociais, a exemplo do próprio transporte, do acesso à saúde e à educação, e impondo dificuldades ao escoamento da produção da agricultura familiar.
Amazonas, um estado rico com a população cada vez mais pobre e com políticos que se “perpetuam” no poder.
(*) Professor, advogado e engenheiro civil.










