
A conclusão da segunda etapa da Operação Tamoiotatá 6 nesta quinta-feira, 2/3, traz números que impressionam e preocupam. O montante de R$ 32.296.496 em multas aplicadas pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) revela que a ilegalidade ainda tenta fincar raízes no sul do estado. Entre 14 de março e o início de abril de 2026, as equipes de fiscalização mostraram que a presença do Estado é a única barreira real contra o avanço do desmatamento.
O cenário é de um combate direto. O planejamento baseado em inteligência ambiental e monitoramento geoespacial permitiu que os fiscais chegassem exatamente onde o crime acontecia. No entanto, o valor das autuações levanta um questionamento sobre a eficácia punitiva das multas. Punir é essencial, mas garantir que esses valores cheguem ao Fundo Estadual de Meio Ambiente (FEMA) para financiar novas ações é o verdadeiro desafio.
Raio X das multas
As ações foram divididas em bases operacionais que cobrem os pontos de maior pressão. A diferença de valores entre as regiões mostra onde o foco dos infratores está concentrado.
- Humaitá e Canutama: registrou a maior ofensiva com R$ 22.967.400 em multas e 47 autos de infração.
- Apuí e Novo Aripuanã: somou R$ 9.329.096 em penalidades com 18 autos de infração.
- Frentes de combate: a fiscalização interrompeu abatedouros clandestinos, serrarias móveis e venda ilegal de combustíveis.
De acordo com Gustavo Picanço, diretor-presidente do IPAAM, a operação reflete uma determinação do governador Wilson Lima para ampliar a responsabilização de quem insiste em práticas ilegais. O uso de tecnologia do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM) garante que nenhum alerta passe despercebido.
Apoio internacional
A Operação Tamoiotatá 6 não é um esforço passageiro. Estruturada em 15 etapas até dezembro de 2026, a força-tarefa se prepara para a terceira fase. O objetivo é cobrir todo o período crítico de estiagem, quando as queimadas atingem picos alarmantes.
Um ponto positivo é a origem dos recursos. A iniciativa conta com o apoio do “Programa Floresta em Pé”, uma cooperação financeira entre Brasil e Alemanha via banco KfW. Isso significa que o Amazonas está sob o olhar da comunidade internacional, o que eleva a régua da transparência e da eficiência nos resultados.
Desafio da impunidade
Embora os números sejam positivos, a sociedade aguarda o desfecho desses processos. Os autuados possuem 20 dias para apresentar defesa, e o caminho até a quitação da dívida é longo. O sucesso da operação será medido não apenas pelo valor das multas, mas pela capacidade de impedir que novas áreas sejam derrubadas.
Para colaborar, o IPAAM mantém um canal direto de denúncias via WhatsApp pelo número (92) 98557-9454. A participação da população é peça fundamental no tabuleiro da inteligência ambiental, permitindo que o Estado chegue mais rápido onde o satélite encontra dificuldades.










