
O mestre das mesóclises e da articulação silenciosa, Michel Temer (MDB), reapareceu nos holofotes nesta segunda-feira (30/3) para exercer o seu papel favorito, o de pacificador. Durante um evento em Belo Horizonte, o ex-presidente resolveu atuar como uma espécie de fiador moral do ministro Alexandre de Moraes, seu único indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Em um tom que mistura nostalgia e uma ponta de otimismo jurídico, o emedebista sinalizou que o magistrado está em uma fase mais suave, pronto para ajudar a baixar a temperatura política de um Brasil que parece viver em ebulição constante.
Mesmo admitindo que não troca figurinhas com o ministro há alguns meses, Michel Temer fez questão de ressaltar que percebeu uma mudança de postura em Alexandre de Moraes. Segundo o ex-presidente, em conversas ocorridas há cerca de 90 dias, o magistrado já demonstrava sinais de que pretendia amenizar o tom de suas decisões anteriores.
O timing da declaração não poderia ser mais sugestivo, ocorrendo justamente no momento em que o tribunal toma medidas que surpreendem tanto aliados quanto adversários.
“Eu vejo que ele está muito disposto a colaborar com esta pacificação do país”, diz Michel Temer.
Gesto humanitário
A fala do ex-presidente ganha ainda mais peso quando observamos o cenário desta terça-feira (31/03). Hoje completa uma semana desde que Alexandre de Moraes concedeu a prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O benefício tem validade de 90 dias e passou a valer oficialmente na última sexta-feira (27/03), logo após a alta médica do ex-mandatário. Para Michel Temer, essa movimentação do ministro não foi apenas uma decisão jurídica técnica, mas sim um passo estratégico para o equilíbrio nacional.
“Boa medida de natureza humanitária”, afirma Michel Temer.
Trajetória política
A defesa feita por Michel Temer serve para lembrar ao público que a carreira de Alexandre de Moraes não começou no topo do judiciário. Antes da toga, ele percorreu um longo caminho nos bastidores do poder executivo e legislativo. Essa experiência política é o que, na visão de seus defensores, confere ao ministro a habilidade de entender o termômetro das crises e saber quando é hora de apertar ou soltar o freio.
- Atuou como secretário municipal de Transportes em São Paulo na gestão de Gilberto Kassab (PSD).
- Comandou a secretaria estadual de Segurança Pública no governo de Geraldo Alckmin.
- Ocupou o cargo de ministro da Justiça no governo de Michel Temer.
Aprovação histórica
A chegada de Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal (STF) ocorreu em um momento de tragédia e reviravolta política. Ele foi indicado para ocupar a vaga aberta após o acidente aéreo que vitimou o ministro Teori Zavascki em janeiro de 2017.
Na época, a escolha foi alvo de críticas intensas por conta do seu perfil político, mas ele acabou sendo aprovado pelo Senado com 55 votos favoráveis e 13 contrários. Nomes de peso da corte, como Gilmar Mendes e Luiz Fux, foram entusiastas da indicação que agora Michel Temer volta a celebrar como uma peça fundamental para a tal paz nacional.










