O jogo de empurra no Irã e a tentativa de Khamenei de culpar Donald Trump

Foto: Foto por CARLOS JASSO / AFP

As recentes declarações do líder supremo do Irã trazem uma carga dramática sobre o atual momento político no Oriente Médio. Neste sábado (17/01), Ali Khamenei afirmou que vários milhares de pessoas morreram nos protestos que sacudiram a República Islâmica nas últimas semanas. Ao responsabilizar o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, o líder religioso busca focar em uma narrativa de conspiração externa para explicar o descontentamento popular que tomou as ruas.

A estratégia de culpar agentes estrangeiros é uma ferramenta antiga de regimes sob pressão, mas o volume de vítimas mencionado agora eleva a gravidade da situação. Khamenei descreveu os manifestantes como elementos ignorantes liderados por agentes mal intencionados e treinados para cometer crimes. Esse posicionamento ignora as causas econômicas profundas que levaram os iranianos ao limite da paciência.

A retórica de Khamenei sobre as mortes e o papel de Donald Trump

O discurso ocorreu durante o aniversário da escolha de Maomé como profeta do islã em Teerã. Khamenei asseverou que foram cometidos atos extremamente desumanos como prender e queimar jovens vivos em mesquitas. Ele também mencionou o assassinato de meninas e pessoas indefesas com armas que teriam sido fornecidas do exterior.

O líder supremo foi enfático ao dizer que o presidente americano interveio pessoalmente no conflito. Segundo ele, Donald Trump teria enviado mensagens de apoio militar para encorajar os conspiradores. Khamenei declarou que “consideramos o presidente dos Estados Unidos culpado pelas vítimas, pelos danos e pelas acusações que dirigiu à nação iraniana”. Ele ainda completou afirmando que o objetivo americano é devorar o Irã por meio de um complô organizado pelos serviços de inteligência dos EUA e de Israel.

Os números divergentes e a crise humanitária sob o véu da censura

Embora o governo iraniano admita agora a morte de milhares de pessoas, os dados oficiais ainda são vagos quando comparados aos levantamentos de organizações não governamentais (ONGs). Instituições de oposição sediadas no exílio estimam que o número de vítimas fatais chegue a 3.428, além de aproximadamente 19 mil detidos. O rastro de destruição apresentado pelo governo para justificar a repressão é extenso e inclui os seguintes pontos.

  • Destruição de 250 mesquitas e danos em outras 53 em todo o país.
  • Ataques contra mais de 250 centros educacionais e científicos.
  • Danos severos em instalações do setor elétrico, bancos e complexos de saúde.
  • Saques em lojas de produtos básicos.

A origem econômica e a explosão social nas ruas

O movimento de insatisfação teve início em 28/12, motivado pelo fechamento de comércios em Teerã após a queda acentuada do rial moeda do país. O que começou como um protesto econômico rapidamente se transformou em um clamor político com gritos de “Morte à República Islâmica” e “Morte a Khamenei”. O auge das manifestações ocorreu nos dias 08/01 e 09/01, quando os atos de vandalismo contra prédios públicos se intensificaram em praticamente todo o país.

A resposta de Donald Trump, que ameaçou atacar o país caso o número de mortos continuasse a subir e prometeu que a ajuda estava a caminho, foi usada pelo regime para validar a tese de infiltração estrangeira. Khamenei encerrou seu pronunciamento destacando que não pretende levar o país à guerra, mas garantiu que os criminosos internos e internacionais não ficarão impunes e que os EUA deverão prestar contas pelas suas ações.

Fonte: https://jovempan.com.br/noticias/mundo/lider-do-ira-admite-pela-primeira-vez-que-protestos-deixaram-milhares-de-mortos.html

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