Estagiário de Lara O curioso cenário onde o ‘Bolsa Família’ vence o crachá em 9...

O curioso cenário onde o ‘Bolsa Família’ vence o crachá em 9 estados brasileiros

Por Estagiário De Lara

Eu confesso que fico fascinado com a capacidade do nosso país de criar estatísticas surpreendentes. Chegamos a fevereiro de 2026 e os dados revelados pelo portal Poder360 nesta sexta-feira (3/4) mostram um cenário no mínimo curioso.

Cruzando as informações do Ministério do Desenvolvimento Social com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) descobrimos que nove estados brasileiros ainda possuem mais famílias recebendo o Bolsa Família do que trabalhadores com a sonhada carteira assinada.

E para a surpresa de absolutamente ninguém todos estão localizados nas regiões Norte e Nordeste.

Evolução a passos de tartaruga

Claro que a gente precisa ser justo e reconhecer que os números mostram uma melhora. Em fevereiro de 2023 e no mesmo mês de 2024 nós tínhamos 13 estados nessa situação de dependência crônica. No ano passado o número caiu para 12 e agora celebramos a marca de 9 estados.

Uma evolução fantástica que segundo o levantamento foi impulsionada por dois fatores principais o crescimento do emprego formal e um providencial pente-fino realizado pelo governo federal que excluiu 2,1 milhões de famílias do programa.

Ranking do excedente social

Quando olhamos para os dados de fevereiro deste ano o Maranhão lidera com folga esse índice de dependência.

O estado registra exatas 460 mil famílias a mais no programa de transferência de renda do que postos de trabalho formais.

A lista completa dos estados com maior excedente de beneficiários em relação aos empregos com carteira assinada é um retrato inegável das nossas desigualdades regionais

  1. Maranhão com 697.039 trabalhadores formais e 1.157.082 famílias no auxílio (460.043 beneficiários a mais)
  2. Pará com 935.412 trabalhadores formais e 1.167.529 famílias no auxílio (232.117 beneficiários a mais)
  3. Piauí com 351.205 trabalhadores formais e 514.542 famílias no auxílio (163.337 beneficiários a mais)
  4. Bahia com 2.012.345 trabalhadores formais e 2.098.259 famílias no auxílio (85.914 beneficiários a mais)
  5. Paraíba com 482.110 trabalhadores formais e 558.559 famílias no auxílio (76.449 beneficiários a mais)
  6. Amazonas com 512.450 trabalhadores formais e 534.004 famílias no auxílio (21.554 beneficiários a mais)
  7. Alagoas com 425.611 trabalhadores formais e 446.400 famílias no auxílio (20.789 beneficiários a mais)
  8. Acre com 95.202 trabalhadores formais e 104.000 famílias no auxílio (8.798 beneficiários a mais)
  9. Amapá com 82.127 trabalhadores formais e 90.900 famílias no auxílio (8.773 beneficiários a mais)

Dois brasis na mesma economia

No extremo oposto dessa realidade paralela está São Paulo. O estado paulista apresenta o maior superávit de emprego do país ostentando 12,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada a mais do que beneficiários do auxílio.

Para colocar em perspectiva a proporção de dependência do ‘Bolsa Família’ na economia do trabalho brasileira está em 38,6 beneficiários para cada 100 pessoas com carteira assinada agora em fevereiro de 2026.

Esse patamar tem se mantido estável desde agosto de 2025 após ter atingido um recorde alarmante de 49,6 para cada 100 lá no início de 2023.

Proporções e realidades municipais

Apesar da maior dependência nesses nove estados o emprego formal avançou em ritmo superior ao benefício em todas as unidades da Federação no último ano. No total o Brasil contabiliza hoje 48,8 milhões de pessoas com emprego formal e 18,8 milhões de famílias atendidas pelo benefício social.

Mas as proporções continuam gritantes. Enquanto o Maranhão possui 1,66 beneficiário para cada carteira assinada Santa Catarina apresenta a maior força de trabalho formal proporcional com incríveis 13 empregos para cada família beneficiada.

Para fechar com chave de ouro a pesquisa indica que a disparidade persiste forte no nível municipal. Atualmente 2.639 cidades brasileiras ainda registram mais inscrições no Bolsa Família do que empregos formais. É o Brasil real mostrando que a mágica da economia pujante ainda não chegou para todos com a mesma força.

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