Estagiário de Lara O Carnaval da CPMI do Banco Master e a fila do prejuízo...

O Carnaval da CPMI do Banco Master e a fila do prejuízo que não para de crescer

Por Estagiário de Lara (*)

Parece que no Brasil até a indignação tem calendário para começar. Nesta terça-feira, 3/2, a oposição ao governo Lula resolveu mostrar serviço e protocolou um pedido robusto para investigar o buraco sem fundo do Banco Master. Com 280 assinaturas, o requerimento tem apoio de sobra para abrir a caixa-preta, mas, como tudo nestas terras, a pressa tem limite. A ordem agora é esperar o confete baixar, porque, segundo os próprios nobres parlamentares, a conversa séria com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, só vai acontecer “depois do Carnaval”.

Enquanto 800 mil clientes em todo o país roem as unhas esperando o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), descobriu-se que o nosso estado do Amazonas não ficou de fora dessa “farra” de investimentos duvidosos. Pesquisas e documentos recentes apontam que a Amazonprev, o fundo que deveria garantir a tranquilidade do servidor público estadual, decidiu colocar dezenas de milhões de reais em Letras Financeiras do Banco Master meses antes da instituição quebrar.

O enredo local é digno de um thriller. Segundo investigações preliminares do Ministério Público do Amazonas (MPAM), a aplicação milionária teria sido feita em meados de 2024, mas sem os registros claros e transparentes que se espera de dinheiro público. É como se o recurso tivesse criado pernas e caminhado sozinho para o cofre de um banco que já estava respirando por aparelhos.

Assinaturas de sobra e a velha tática de empurrar com a barriga

O deputado Carlos Jordy (PL), autor do requerimento, conseguiu um feito numérico invejável. São 238 deputados e 42 senadores querendo saber onde foi parar o dinheiro. Para se ter uma ideia, precisava apenas de 171 deputados e 27 senadores. Ou seja, vontade política (ou vontade de aparecer no Jornal Nacional) tem de sobra.

O problema é que o “dono da pauta”, Davi Alcolumbre, ainda não foi consultado oficialmente. E a estratégia da oposição é deixar para resolver isso quando o ano legislativo começar “de verdade”, ou seja, na ressaca da quarta-feira de cinzas. Enquanto isso, o escândalo fica marinando, e o investidor que acreditou na rentabilidade mágica do Master continua com o pires na mão.

O colapso do Banco Master não é apenas um caso de má gestão, é um thriller jurídico. Enquanto a Polícia Federal tenta entender a engenharia financeira do desastre, assistimos a um verdadeiro telecatch institucional entre o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF).

É briga de cachorro grande. De um lado, técnicos apontando irregularidades; do outro, decisões judiciais voando. E no meio desse tiroteio de togas e gravatas, está o cidadão comum e as prefeituras do interior de São Paulo, que agora são alvo do Ministério Público por terem “investido” dinheiro público nessa aventura bancária.

O roteiro da tragédia financeira em tópicos

Para quem está perdido nesse enredo que mistura prejuízo financeiro com folia parlamentar, aqui vai o resumo da ópera bufa:

  • O tamanho do buraco: O Banco Central liquidou o Master em novembro de 2025, deixando um rombo que afeta cerca de 800 mil pessoas que agora dependem da burocracia do FGC.
  • A força do pedido: O requerimento da CPMI tem 280 assinaturas, muito acima do mínimo necessário, mostrando que o escândalo é grande demais para ser ignorado, até mesmo pelo centrão.
  • O fator Alcolumbre: Mesmo com as assinaturas, a instalação depende do presidente do Senado pautar a leitura do requerimento. E ele só vai ser procurado depois que o Rei Momo entregar a chave da cidade.
  • A nova frente de investigação: O Ministério Público de São Paulo entrou na jogada e está investigando prefeituras de quatro cidades que decidiram colocar dinheiro público no banco pouco antes dele quebrar.

(*) Jornalista Independente

Fonte: https://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2026-02-03/oposicao-faz-pedido-para-criacao-de-cpi-sobre-o-banco-master.html

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