
O cenário da saúde pública em Manaus respira novos ares neste início de 2026. Após fechar o ano de 2025 com uma redução expressiva de 52,7% nos casos de dengue em relação ao período anterior, a capital amazonense não pretende baixar a guarda. A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), anunciou que a partir de fevereiro colocará em prática uma estratégia de monitoramento digital que promete mudar a forma como as equipes de vigilância enxergam a presença do mosquito nos bairros.
A grande novidade está na implementação das chamadas ovitrampas. Trata se de uma tecnologia desenvolvida em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Ministério da Saúde que utiliza armadilhas inteligentes para mapear o comportamento do mosquito antes mesmo que os casos comecem a surgir. Shádia Fraxe, titular da Semsa, ressalta que essa inovação é parte de um compromisso sistemático para aprimorar os processos de prevenção e proteger a população de doenças como dengue, zika e chikungunya.
Entenda como funciona a tecnologia das ovitrampas
Diferente das ações tradicionais que buscam larvas em caixas d’água ou pneus, a ovitrampa é uma ferramenta de monitoramento ativo. O sistema é composto por recipientes de plástico que contêm palhetas de madeira especial onde as fêmeas do Aedes aegypti depositam seus ovos.
O processo de funcionamento segue etapas bem definidas pelos técnicos da saúde.
- Instalação estratégica: Cada recipiente é colocado na área externa de imóveis centrais, cobrindo um raio de nove quarteirões.
- Coleta precisa: Os agentes de saúde retiram as palhetas em um intervalo de cinco a seis dias para garantir que as larvas não cheguem a nascer, evitando que a armadilha se torne um foco de reprodução.
- Contagem digital: As palhetas seguem para análise laboratorial e os dados são inseridos no aplicativo “Conta Ovos”, que gera informações em tempo real.
- Mapeamento de risco: O cruzamento desses dados gera mapas de calor detalhados que indicam exatamente quais ruas ou bairros apresentam maior densidade de mosquitos.
O planejamento estratégico para as zonas urbanas
O cronograma para este ano é robusto e segue as diretrizes nacionais de saúde. Serão instaladas 240 armadilhas em cada uma das quatro zonas de Manaus, totalizando 960 pontos de monitoramento constante. O foco inicial será nos 18 bairros identificados como de alta vulnerabilidade pelo levantamento realizado no final de 2025.
Alciles Comape, chefe da Divisão de Controle de Doenças Transmitidas por Vetores, explica que o projeto deve durar ao menos 26 semanas ao longo de 2026. Isso permite uma leitura fiel das variações sazonais da infestação. O especialista reforça que a instalação é feita de forma discreta, em locais protegidos da chuva e do sol, e pede que os moradores colaborem mantendo as armadilhas no lugar e fora do alcance de crianças ou animais domésticos.
Os números que justificam o otimismo
Embora a tecnologia seja um passo moderno, a realidade dos números mostra que o desafio ainda existe. Em 2025, Manaus registrou 1.237 casos de dengue, uma queda considerável frente aos 2.615 casos de 2024. Também foram confirmados 10 casos de zika e 79 de chikungunya no último ano. O Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) classificou a cidade em médio risco, com uma infestação predial de 1,8%, mas apontou bairros em situação crítica.
Atualmente, seis localidades figuram no índice de alto risco, com mais de 4% de infestação.
- Tarumã e Tarumã-Açu
- Da Paz
- Alvorada
- Lírio do Vale
- Nova Esperança
- Santo Agostinho
Além desses, o Mapa de Vulnerabilidade da Semsa incluiu áreas como Parque 10 de Novembro, Jorge Teixeira, Compensa e Centro como prioridades. A nova estratégia digital vai permitir que a prefeitura direcione as equipes de limpeza e os agentes de endemias com muito mais precisão para esses pontos críticos.
É fundamental compreender que a ovitrampa não substitui a responsabilidade de cada cidadão. Enquanto a Semsa utiliza aplicativos e mapas digitais para vigiar o mosquito, o combate real continua sendo evitar o acúmulo de água parada em quintais e residências. A tecnologia é uma aliada poderosa, mas a vitória definitiva contra as arboviroses em Manaus depende do esforço conjunto entre a gestão pública e a conscientização da comunidade.
ASCOM: Eurivânia Galúcio/Semsa











