
O aparecimento de dois peixes-remo na areia de Cabo San Lucas, no México, reacendeu debates que misturam biologia marinha e superstições milenares. Os animais, conhecidos cientificamente como Regalecus glesne, foram encontrados por turistas e devolvidos ao mar com a ajuda da influenciadora Monica Pittenger e sua irmã, Katie.
O episódio rapidamente viralizou nas redes sociais, despertando a curiosidade global sobre o motivo de criaturas que habitam profundezas abissais surgirem na superfície.
A espécie é o peixe ósseo mais longo do mundo, podendo atingir até 11 metros de comprimento. Com um corpo prateado e nadadeiras vermelhas vibrantes, o peixe-remo vive na zona mesopelágica, entre 200 e mil metros de profundidade, onde a luz solar não alcança.
Avistamentos em águas rasas são raros e geralmente indicam que o animal está doente, morrendo ou foi deslocado por correntes marítimas extremamente fortes.
Mitos sísmicos
A fama de “peixe do fim do mundo” não é por acaso. No Japão, a espécie é chamada de “ryugu no tsukai”, ou o mensageiro do palácio do deus dragão. A lenda sugere que esses peixes sobem à superfície para alertar sobre terremotos iminentes.
“Aparentemente, eles só vêm à tona quando há tsunamis ou algo assim, mas não há ciência por trás disso”, comentou Monica Pittenger sobre a experiência que descreveu como mágica e cinematográfica.

Fatos científicos
Apesar da crença popular ter ganhado força em 2011, quando 20 indivíduos apareceram na costa japonesa antes de um grande sismo, especialistas negam a conexão. O biólogo Russ Vetter, do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), explica que o aspecto sinuoso do peixe alimentou mitos sobre serpentes marinhas ao longo dos séculos.
Na realidade, o peixe-remo é um animal filtrador, sem dentes visíveis, que se alimenta de krill, plâncton e pequenas lulas.
Hábitos da espécie
Pouco se sabe sobre a reprodução e o comportamento social desses gigantes, mas registros indicam que a desova ocorre na costa mexicana entre julho e dezembro. Os ovos flutuam na superfície até eclodirem, o que leva cerca de três semanas.
Como sua carne possui textura gelatinosa e não é considerada palatável para humanos, a espécie não sofre com a pesca comercial, tendo como principais predadores naturais os tubarões e grandes peixes carnívoros.
Fique por dentro
O registro de peixes abissais na superfície é um lembrete da vasta parcela desconhecida dos oceanos. O primeiro vídeo de um peixe-remo vivo só foi capturado pela Marinha dos Estados Unidos da América (EUA) em 2001, evidenciando o quanto a ciência ainda precisa avançar. Embora a teoria dos terremotos não tenha base comprovada, o surgimento desses animais serve como um alerta biológico sobre mudanças nas correntes profundas ou na saúde dos ecossistemas marinhos, mantendo o fascínio e o respeito pela fauna das profundezas.










