
Jesus Alves resolveu fazer aquilo que, em política, costuma ser considerado um milagre moderno: resistir à tentação de trocar de partido na véspera da janela. Ficou onde sempre esteve, no MDB de Eduardo Braga, que, para ele, tem mais lastro político do que encontraria em outro lugar.
Jesus recusou, com a elegância possível, o convite para embarcar no Avante de David, legenda cujo fundo partidário cabe numa carteira de motorista, sobrando bastante espaço.
No fim das contas, Jesus fez a escolha clássica: entre fé e milagre, preferiu o orçamento emedebista.
Arrumando o paletó para o palanque de Omar

Dizem que Jesus já começa a andar rumo a outras jornadas fora do contexto da administração municipal. O ex-secretário dá sinais cada vez mais claros de que vai colar sua trajetória à pré-candidatura de Omar Aziz (PSD) ao governo do Estado.
Evidente que ele não vai sozinho. Eduardo Braga já está praticamente com o check-in feito nesse voo político — mala despachada, assento marcado e discurso alinhado.
Falta só fechar a “janela partidária”, essa espécie de Black-Friday da política, para o embarque definitivo.
Jesus não apenas permanece no MDB, mas segue o que ensina a velha cartilha eleitoral: melhor estar no palanque que distribui microfone do que naquele que só distribui justificativa sabe-se lá de quê.
Prefeito contra as elites. Mas há controvérsias

David Almeida resolveu vestir o figurino de combatente das elites, com direito a discurso inflamado, memória de cacimba e indignação sob medida.
Tudo convincente, forte, até alguém lembrar que, segundo a Revista Cenarium, o seu domicílio eleitoral continua lá no Morro da Liberdade, mas o repouso do guerreiro acontece mesmo é num confortável endereço na Ponta Negra.
Afinal, combater a elite é cansativo — e ninguém é de ferro. O curioso é esse novo modelo político: o líder popular que denuncia a cobertura enquanto aprecia a vista da própria.
Linda vista para o rio
Conforme a Cenarium, David reside no seleto Condomínio Castelli e faz cooper de rotina pelas alamedas do Alphaville.
Nada demais, obviamente, pois defender o povo não impede alguém de apreciar um bom pôr do sol sobre o Rio Negro — de preferência da varanda de uma bela morada.
David mantém o título de eleitor no Morro da Liberdade e o Wi-Fi na área mais nobre da cidade. Política, como se vê, também é sobre mobilidade, inclusive mobilidade-residencial.
Omar Aziz na Embrapa

Enquanto David Almeida se esforça na distribuição de catiripapos verbais mirando Omar Aziz nas redes sociais, o senador prefere um caminho menos barulhento e mais palpável.
A visita à Embrapa)Amazônia Ocidental, com mais de R$ 2,3 milhões aportados, mostra um detalhe importante na atual disputa pré-eleitoral: enquanto um discursa contra o sistema, o outro tenta fazer o sistema funcionar.
Omar fala de ciência, biodiversidade, desenvolvimento, coisas que não rendem aplauso fácil, mas costumam dar resultado. Já David aposta no embate, no contraste e na retórica de confronto.
No fim, o eleitor vai escolher: o palanque do esbravejar folclórico ou o da planilha.
Nasce um gigante no país

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), está oficialmente criada a federação entre União Brasil e Progressistas (PP). E não é qualquer ajuntamento: nasce a maior força política do país, com bancada robusta, cofres abastecidos e influência de sobra para 2026.
Na prática, é aquela velha máxima atualizada: enquanto uns brigam por espaço no palanque, outros constroem o próprio palco — com iluminação, som e plateia garantida pelos próximos quatro anos. Porque, em política, união nem sempre faz a força. Mas, nesse caso, faz a diferença — e o caixa também.










