
Mesmo com a trégua nas tensões geopolíticas envolvendo potências como Estados Unidos, Israel e Irã, os reflexos do conflito ainda pesam nas engrenagens da economia mundial. No Brasil, o setor industrial segue em alerta máximo monitorando como essa instabilidade compromete a oferta de itens básicos. O impacto mais imediato para o bolso do consumidor aparece na mesa, especificamente no preço do trigo, que já registra tendência de alta em todo o país.
O Sindicato das Indústrias do Trigo nos Estados do Pará, Maranhão, Amazonas e Amapá (SINDITRIGO) confirmou que o reajuste da matéria-prima é uma realidade para este mês.
A situação é delicada porque o Brasil não é autossuficiente na produção do cereal.
- Apenas 40% do trigo consumido nacionalmente é produzido em solo brasileiro.
- Os outros 60% dependem de importação, o que representa cerca de 6 milhões de toneladas anuais compradas de outros países.
- Qualquer variação no dólar ou nos custos de transporte internacional reflete diretamente no valor final da farinha.
Desafios logísticos na região Norte
Para quem vive no Amazonas e nos estados vizinhos, o cenário é ainda mais complexo. As dificuldades naturais de acesso impõem custos logísticos que não perdoam o setor produtivo. A alta dos combustíveis e o encarecimento dos fretes são os principais vilões que empurram o preço da farinha para cima nas panificadoras locais.
Além disso, a indústria enfrenta a necessidade de importar trigos com maior teor de proteína para garantir a qualidade exigida pelo consumidor.
Como a produção da Argentina, principal fornecedora, apresenta limitações técnicas atualmente, as empresas precisam buscar grãos de padrão superior em mercados mais caros.
Composição do preço do pão
É importante entender que o valor do pão francês não depende apenas do trigo. Uma série de custos fixos e variáveis pressiona o setor de panificação.
Atualmente, a divisão dos custos que formam o preço final é a seguinte:
- Farinha e ingredientes: são responsáveis por 28% do valor.
- Impostos, aluguel e margem de lucro: consomem 30% do total.
- Energia elétrica: representa 28% dos gastos.
- Mão de obra e embalagens: fecham a conta com os 14% restantes.
Impacto inevitável no consumo
A partir de 1º de abril de 2026, uma nova mudança tributária passou a incidir sobre a importação com a cobrança de PIS/COFINS, elevando ainda mais o custo operacional das indústrias.
O presidente do SINDITRIGO, Rui Brandão, destaca que os repasses são necessários para manter o fornecimento e o padrão dos produtos.
“Os repasses de preço tornam-se inevitáveis para garantir o fornecimento com o padrão exigido”, afirmou Rui Brandão ao explicar que a alta atinge desde o pão de cada dia até massas, biscoitos, bolos e salgados industrializados.
A orientação para o consumidor é pesquisar e estar atento, pois toda a cadeia de derivados será impactada por esse novo ciclo de custos.
ASCOM: Hugo Araújo | F5 Comunicação e Eventos Corporativos










