
O cenário político em Brasília viveu momentos de extrema tensão na madrugada deste sábado (28). A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigava fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) chegou ao fim sem um consenso oficial. O colegiado rejeitou o relatório final que sugeria o indiciamento de figuras centrais ligadas ao atual governo, o que gerou um forte debate sobre a influência do Palácio do Planalto nos rumos das investigações parlamentares.
Votação decisiva na madrugada
O documento apresentado pelo relator Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) foi o ponto de discórdia principal. O texto pedia o indiciamento de 216 pessoas, incluindo o empresário Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”. Após horas de debates acalorados, o placar terminou com 19 votos contra e apenas 12 a favor do relatório de Gaspar.
A derrota do texto foi vista como uma demonstração de força da base aliada. Para conseguir barrar o documento, o governo realizou uma movimentação intensa de seus parlamentares. O senador Jaques Wagner (PT-BA) viajou às pressas de Salvador para a capital federal apenas para participar da votação.
Além disso, o ministro da Agricultura Carlos Fávaro foi exonerado temporariamente para reassumir sua cadeira no Senado, garantindo que o voto da oposição não prevalecesse, já que sua suplente, Margareth Buzetti, faz parte da oposição.
Parlamentares que votaram a favor do relatório
- Magno Malta (PL-ES)
- Marcio Bittar (PL-AC)
- Izalci Lucas (PL-DF)
- Eduardo Girão (Novo-CE)
- Rogério Marinho (PL-RN)
- Damares Alves (Republicanos-DF)
- Coronel Fernanda (PL-MT)
- Coronel Chrisóstomo (PL-RO)
- Marcel Van Hattem (Novo-RS)
- Alfredo Gaspar (União-AL)
- Bia Kicis (PL-DF)
- Adriana Ventura (Novo-SP)
Parlamentares que votaram contra o relatório
- Soraya Thronicke (Podemos-MS)
- Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
- Jaques Wagner (PT-BA)
- Eliziane Gama (PSD-MA)
- Humberto Costa (PT-PE)
- Jussara Lima (PSD-PI)
- Rogério Carvalho (PT-SE)
- Augusta Brito (PT-CE)
- Teresa Leitão (PT-PE)
- Meire Serafim (União Brasil-AC)
- Átila Lira (PP-PI)
- Orlando Silva (PCdoB-SP)
- Rogério Correia (PT-MG)
- Ricardo Ayres (Republicanos-TO)
- Alencar Santana (PT-SP)
- Paulo Pimenta (PT-RS)
- Lindbergh Farias (PT-RJ)
- Neto Carletto (Avante-BA)
- Dorinaldo Malafaia (PDT-AP)
Impasses encerram a comissão
Apesar da rejeição do relatório de Gaspar, a tentativa do governo de aprovar um texto próprio também não avançou. O presidente da comissão Carlos Viana (Podemos-MG) se recusou a colocar em discussão o relatório alternativo apresentado pela base governista. Com isso, a (CPMI) foi finalizada sem a entrega de um documento oficial conclusivo.
O esquema investigado apura descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas, um crime que afeta milhões de brasileiros. No documento alternativo, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) defendeu que o dossiê representava o “pensamento majoritário”, afirmou o congressista.O grupo governista sugeria o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro como “chefe do esquema”, declarou o parlamentar durante entrevista a jornalistas.










